Entenda por que o combustível é importante para o campo

Petrobras elevou o preço do diesel nas refinarias em meio à alta do petróleo no exterior e a um momento sensível para a agricultura brasileira.

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (13/3) um aumento no preço do diesel vendido às distribuidoras. O reajuste foi de R$ 0,38 por litro no diesel A, que passa a custar cerca de R$ 3,65 por litro nas refinarias e começa a valer a partir deste sábado (14/3).

A decisão ocorre em meio a um cenário de alta do petróleo no mercado internacional, causado pelas tensões geopolíticas pelo conflito entre Irã e Israel, que gerou preocupações com o abastecimento em algumas regiões do país.

No agronegócio, o tema é ainda mais sensível: o diesel é um dos principais custos da produção agrícola e também influencia diretamente o frete de grãos e alimentos.

Por que o diesel voltou ao centro do debate

A pressão sobre os preços começou após a forte alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada por tensões no Oriente Médio. Com isso, combustíveis derivados, como o diesel, também passaram a subir em vários países.

No Brasil, o governo zerou temporariamente os tributos federais PIS e Cofins sobre o diesel e prometeu criar medidas para estimular a oferta e conter aumentos maiores no preço do combustível.

“Estamos fazendo um sacrifício enorme aqui, uma engenharia econômica, para evitar que os efeitos da irresponsabilidade das guerras cheguem ao povo”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na cerimônia de anúncio das medidas, realizada no Palácio do Planalto.

Mesmo assim, a pressão pelos preços no mercado internacional acabou levando a Petrobras a reajustar os valores nas refinarias nesta sexta-feira. “Considerando a mistura obrigatória de 85% de diesel A e 15% de biodiesel, o ajuste é equivalente a R$ 0,32 por litro sobre o diesel B comercializado nos postos”, diz a nota da companhia.

O diesel vai acabar no Brasil?

Não há indicação de que o diesel vá acabar no país, mas episódios recentes levantaram preocupação com a oferta.

Nesta semana, por exemplo, a Petrobras chegou a realizar um leilão de cerca de 20 milhões de litros de diesel no Rio Grande do Sul, após relatos de dificuldades de abastecimento na região durante a colheita.

O Brasil produz diesel em suas refinarias, mas ainda depende de importações para atender totalmente à demanda, o que torna o mercado interno sensível às oscilações internacionais.

Cerca de 25% do diesel vendido no Brasil veio de importações em 2024, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o que deixa o país mais exposto às oscilações do mercado internacional de petróleo, daí a preocupação com a flutuação nos preços.

Importância do diesel pro agro brasileiro

Dados do Balanço Energético Nacional mostram que a agropecuária responde por cerca de 11% do consumo direto total de diesel no Brasil. Isso inclui o uso em operação de tratores, colheitadeiras, pulverizadores e plantadeiras nas lavouras.

Quando considerado também o uso diesel para escoar a produção do agronegócio, a participação é ainda maior. Caminhões movidos a diesel levam fertilizantes e defensivos até as fazendas, transportam a colheita até armazéns e esmagadoras e, depois, seguem com grãos, farelo ou carnes até portos e centros consumidores.

O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Maurício Buffon, afirma que as despesas com frete e combustíveis representam entre 25% e 30% do custo de produção total no campo.

“Esse percentual corresponde ao gasto só para tirar o produto da lavoura e escoar, mas também se usa diesel dentro da fazenda, para outros processos, como o abastecimento das máquinas que fazem a colheita”, afirma.

De acordo com o dirigente, esta será a primeira vez que os produtores rurais terão de lidar com aumentos simultâneos dos preços de combustíveis e fertilizantes — o Irã é um importante fornecedor de ureia ao Brasil.

“Tivemos aumento do custo dos combustíveis na pandemia de covid-19, mas, naquele momento, o fertilizante estava mais barato. Agora, cerca de 50% do custo de produção pode ficar comprometido, a depender de quanto a guerra for se estender”, disse Buffon. Os adubos representam 20% das despesas nas lavouras.

Thiago Péra, coordenador geral do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Esalq (Esalq-Log), ressalta que o preço alto do diesel também pode ser um desafio na entressafra, quando o custo de transporte poderá ser maior do que o habitual para esse período, quando o valor costuma cair.

Segundo ele, um elemento que pode continuar elevando o custo do frete é a tabela de pisos mínimos para transporte rodoviário. A tabela prevê um gatilho automático de repasse ao frete a cada 5% de aumento do preço do diesel.

Uso do biodiesel

Como alternativa ao diesel tradicional, o biodiesel, combustível biodegradável derivado de fontes renováveis como óleos vegetais, da soja, por exemplo, e gorduras animais. Assim como hoje 30% da gasolina comercializada nos postos é composta pro etanol, o mesmo acontece com o diesel tradicional.

Hoje, o diesel é vendido com 15% de biodiesel na mistura. Com o aumento dos preços do combustível no mercado internacional, a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) defende que o governo agilize os testes para aumentar a mistura do biodiesel ao diesel já para 16% (B16).

O aumento da mistura seria uma forma de garantir o abastecimento nacional de combustível diante da ameaça à oferta provocada pela guerra no Oriente Médio, segundo as entidades que pedem a mudança.

No entanto, a alta do petróleo também pode impulsionar as cotações do óleo de soja, a principal matéria-prima para a produção de biodiesel no Brasil.

“Sim, óleo de soja mais caro pode virar mais um fator de pressão sobre o custo, porque encarece o biodiesel”, diz Jerônimo Goergen, presidente da Aprobio. O dirigente ressalva que, na prática, o aumento do petróleo e da taxa de câmbio é que costuma ter impacto mais forte sobre o custo do frete (Globo Rural)

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