Produção agrícola do continente depende de importações de insumos.
Os ministros da agricultura e representantes do setor agropecuário de países da América do Sul, Central, Caribe e América do Norte manifestaram preocupação com os efeitos da crise no Oriente Médio sobre as cadeias locais de produção de alimentos durante reunião promovida pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) nesta quarta-feira (8/4), em Washington, nos Estados Unidos.
Dentre as principais consequências destacadas pelas autoridades, a alta nos preços dos fertilizantes e dos combustíveis foram as mais citadas, com países como a Colômbia, cuja a dependência da importação de nitrogenados chega a 80% do seu consumo.
“O rápido aumento dos preços dos fertilizantes, que teve impacto imediato nos preços dos alimentos, comprometendo assim a segurança alimentar em nosso país”, destacou a chefe do Escritório de Assuntos Internacionais do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Colômbia, Yenly Angélica Méndez.
A dependência das importações de fertilizantes também foi mencionada pelo representante do ministério da agricultura do México, que destacou a alta de 25% nos preços praticados no país.
“Nós importamos 75% dos fertilizantes que são utilizados no México e este aumento de preços ocorre quando muitos dos produtores se preparam para a semeadura com aplicação de fertilizantes durante abril e maio”, ressaltou o coordenador- Geral de Assuntos Internacionais do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, Santiago Ruy Sánchez de Orellana.
De acordo com Orellana, o México tem aumentado a sua produção local, de 80 mil para 100 mil toneladas, visando enfrentar o atual cenário, e ampliado a distribuição do insumo para as cadeias consideradas estratégicas no país, como o milho, o arroz, o leite e o feijão.
Outra estratégia destacada pelos países americanos para driblar os efeitos da alta dos fertilizantes sobre a produção de alimentos na região foi o uso de bioinsumos. Nesse sentido, o subsecretário de mercados agroalimentares e inserção internacional da Argentina, Augustín Tejeda, alertou para a necessidade de convergência regulatória entre os países americanos para o mercado de bioinsumos. “A convergência e a troca de experiências servirão para facilitar a inovação, o investimento e especialmente o comércio entre nossos países”, disse.
O gerente regional de agricultura e alimentos do Banco Mundial, Diego Arias, também reforçou a necessidade de maior cooperação entre os países da América em biotecnologia para fazer frente à dependência de fertilizantes importados. De acordo com ele, a situação atual tem se apresentado como uma barreira para novos investimentos nesse setor.
“Isso não envolve apenas aumentar os gastos públicos na área, mas inclui também o papel dos governos — e de muitos ministérios da agricultura — na regulamentação desses mercados”, ressaltou.
Representando os EUA, país responsável por deflagrar a atual crise no Oriente Médio, o vice-presidente de política agrícola do America First Policy Institute (AFPI), Kip E. Tom atribuiu a “fragilidade nas cadeias de suprimentos e crescente insegurança alimentar global” a ação de grupos terroristas organizados e defendeu a atuação americana na guerra.
“Trata-se de garantir que os sistemas agrícolas, as nossas cadeias de suprimentos, os nossos dados e a nossa infraestrutura permaneçam sob o nosso controle e alinhados com os nossos princípios compartilhados — e não com os da China”, afirmou representante dos EUA. Na avaliação dele, o momento atual é de oportunidade para os países da América do Norte, Central e Sul.
“O futuro da agricultura nas Américas não será definido pelas incertezas de hoje, mas pelas escolhas que fizermos juntos. Cada país representado nesta sala contribui para essa história. Não somos apenas participantes da agricultura global; somos líderes”, completou Tom (Globo Rural)
2 navios com fertilizantes destinados ao Brasil estão no Estreito de Ormuz
Outras duas embarcações têm o Brasil como destino declarado, mas não há detalhes sobre a carga.
Importadores brasileiros aguardam uma definição clara sobre a abertura do Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã, para receber cargas que incluem fertilizantes de navios que se encontram na região em virtude dos conflitos.
Ao menos duas embarcações carregadas com fertilizantes destinados ao Brasil estão no estreito, de acordo com levantamento feito pela Alphamar Agência Marítima a pedido do Valor/Globo Rural. Outros dois navios também têm o Brasil como destino declarado, mas não há detalhamento sobre a carga. Um deles havia partido do porto de Paranaguá e descarregou açúcar no Irã, segundo a Alphamar.
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“Ainda não temos notícias de quando sairão da região”, disse o sócio diretor da agência marítima, Arthur Neto.
Mais cedo, enquanto circulavam informações de que o Irã havia reaberto o estreito de Ormuz após a trégua de duas semanas selada com Estados Unidos, havia 224 navios graneleiros no estreito, dos quais 63 em posição de movimento e, destes, 46 carregados com fertilizantes destinados a diversos países, segundo a Alphamar.
De acordo com Neto, há maior dificuldade no momento em identificar a quantidade de navios e suas cargas porque algumas embarcações de empresas ligadas a países envolvidos no conflito deram “black out”, ou seja, desligaram o GPS para evitar ataques. Muitos navios ainda vão declarar o tipo de carga que levam, acrescentou ele (Globo Rural)





