Prática melhora o solo, reduz riscos e pode elevar em até 10% a produtividade da soja, segundo estudos da Embrapa Soja
A busca por maior eficiência produtiva, sustentabilidade e segurança no manejo tem impulsionado a adoção de sistemas mais integrados nas lavouras brasileiras. Entre eles, o cultivo em sucessão da cultura soja com o consórcio milho/braquiária vem se consolidando como uma alternativa técnica e economicamente superior ao sistema tradicional milho solteiro–soja, especialmente nas principais regiões produtoras do país.
Dados consolidados pela Embrapa Soja indicam que o uso de braquiárias em consórcio com o milho safrinha pode elevar, em média, em 10% a produtividade da soja cultivada em sucessão, além de promover melhorias significativas nas condições físicas, químicas e biológicas do solo.
“O consórcio milho-braquiária cria um ambiente mais equilibrado para o desenvolvimento da soja, com maior cobertura do solo, melhor retenção de umidade e redução da pressão de plantas daninhas. Isso se traduz em plantas mais vigorosas e produtivas”, explica Alziro Pozzi Neto, engenheiro-agrônomo e especialista em desenvolvimento de mercado da Ourofino Agrociência.
Em áreas onde a soja sucede o milho solteiro, a cobertura do solo é formada basicamente pelos restos culturais da própria soja. Em avaliações realizadas com densidade de 11 plantas por metro, o sistema apresentou uma média de 39 vagens por planta.
Já no sistema milho consorciado com braquiária, os resultados foram significativamente superiores. Mantendo a mesma população de plantas, a soja cultivada após o milho-braquiária alcançou 51 vagens por planta, além de apresentar melhor coloração, maior altura e grãos mais pesados, resultado da manutenção da massa foliar ativa por mais tempo.
O diferencial está na palhada da braquiária, que mantém o solo coberto, reduz a evaporação, estabiliza a temperatura, dificulta a emergência de plantas daninhas e favorece a atividade biológica. As raízes profundas, que podem atingir até 3 metros, melhoram a estrutura do solo e otimizam o sequestro de carbono.
Braquiária ruziziensis (Urochloa ruziziensis) se destaca no consórcio
“Entre as espécies disponíveis, a braquiária ruziziensis tem se mostrado uma das mais eficientes para integração com o milho safrinha. Além da boa compatibilidade com diferentes sistemas produtivos, a espécie apresenta excelente formação de palhada e características semelhantes às da braquiária decumbens, com a vantagem de facilitar o manejo e a sucessão com a soja”, afirma Alziro.
Além dos ganhos agronômicos, o sistema milho-braquiária-soja também traz vantagens operacionais. O produtor utiliza o mesmo parque de máquinas para as culturas, reduzindo investimentos, melhorando o planejamento da janela agrícola.
“A diversificação de culturas é uma ferramenta estratégica de gestão de risco. Ao alternar espécies, o produtor dilui impactos climáticos e financeiros, tornando o sistema mais resiliente”, destaca o especialista da Ourofino Agrociência.
Proteção do sistema exige manejo químico adequado
Para garantir o pleno potencial do sistema milho-braquiária-soja, o manejo fitossanitário é decisivo.
O consórcio milho-braquiária ganha ainda mais relevância nas regiões que concentram a produção nacional de soja: Mato Grosso lidera com cerca de 31,2% da produção brasileira, seguido por Paraná (12,7%), Rio Grande do Sul (12,0%), Goiás (11,0%), Mato Grosso do Sul (6,8%) e Minas Gerais (5,6%). “Nessas regiões, onde a soja é protagonista da economia agrícola, sistemas mais eficientes e sustentáveis são fundamentais para manter competitividade e rentabilidade no longo prazo”, ressalta Alziro.




