Clima favorável no Sul eleva qualidade da uva e promete bom vinho

  • Ausência de frio extremo e escassez hídrica favorecem o ciclo de produção
  • Melhora do produto é boa, porque concorrência aumentará muito com acordo Mercosul-EU

Dizem no Rio Grande do Sul que quando a soja vai mal, a uva vai bem. A produção de soja deverá cair mais uma vez, e ficar abaixo das previsões iniciais. A de uva está melhor do que se imaginava e poderá atingir patamar próximo ao recorde. Os dados finais ainda devem ser divulgados pela Secretaria de Agricultura do estado.

O inverno bom no Sul permitiu uma boa brotação, e a primavera não trouxe problemas à safra. O resultado é uma colheita com grande volume, afirma Mauro Celso Zanus, pesquisador de enologia da Embrapa Uva e Vinho. Segundo ele, a chuva moderada, que acabou influenciando na produção de soja, favoreceu a qualidade das diversas variedades de uva —tanto as precoces quanto as intermediárias e tardias.

A uva está com um excelente grau de maturação, o que diminui a podridão dos cachos. A seca traz qualidade ao suco e, ao vinho, intensidade e equilíbrio de acidez. O amadurecimento do cacho no ponto certo dá melhor pigmentação e melhora os taninos.

Mauricio Bonafé, gerente agrícola da Vinícola Aurora, concorda com Zanus. “Tivemos uma brotação muito boa, sem episódios de frios extremos que pudessem comprometer o início do ciclo. Embora as temperaturas mais amenas na primavera e no verão tenham atrasado a colheita em cerca de 15 dias para as variedades precoces e 10 dias para as tardias, esse tempo extra foi convertido em qualidade”, diz ele.

Segundo Bonafé, o diferencial desta conjuntura tem sido o atual período de escassez hídrica na região da Serra Gaúcha, o que é bom para o atual estágio da vitivinicultura. Com as chuvas regulares, seguidas por intervalos secos mais longos, as plantas conseguiram um acúmulo superior de “grau brix” (açúcar). O resultado é uma matéria-prima de padrão excepcional, tanto para as uvas viníferas, destinada à produção de vinhos e de espumantes, como para as uvas americanas, destinadas aos sucos, afirma o gerente da cooperativa.

Na avaliação de Bonafé, esse cenário sustenta a projeção de uma safra de qualidade superior. A Vinícola Aurora projeta colher 85 milhões de quilos de uva, um aumento de 19% sobre o volume do ano passado e o maior desde 2021. A colheita, que se alongou devido ao ciclo climático, deverá terminar no final deste mês.

Entre os problemas da safra estão a mão de obra escassa para a colheita e dificuldades na logística, devido ao bom volume da produção, segundo o enólogo da Embrapa.

Zanus diz que a qualidade do vinho brasileiro vem melhorando muito nos últimos 20 anos, e o consumidor se adapta mais a uma bebida jovem, com coloração viva e mais frutada. O produtor faz mais uso de tecnologia e os acessórios, como barricas, ficaram mais acessíveis.

A Embrapa está desenvolvendo projetos de indicação geográfica e de melhoramento genético no setor. Está em busca de variedades mais resistentes e que necessitem de menores aplicações durante o processo de produção. Uma das vantagens do setor é que o produtor está mais aberto a novas variedades na produção, e o consumidor, mais ávido por experimentar novas uvas, afirma o enólogo.

O avanço da qualidade do vinho brasileiro é importante porque a concorrência vai aumentar muito com o produto europeu, quando iniciado para valer o acordo Mercosul-União Europeia, diz Zanus.


Fruticultura 

A Rasip Agro, unidade de negócios da RAR Agro & Indústria, vem passando gradualmente pela implantação de um novo modelo de cultivo da maçã: a fruticultura regenerativa. O novo sistema conserva o solo e preserva mais água no campo.

O manejo inclui o uso de bioenergéticos e a semeadura de diferentes espécies de cobertura vegetal, tanto de inverno quanto de verão. O objetivo é formar as chamadas “pontes verdes”, mantendo cobertura vegetal permanente nas linhas e entrelinhas dos pomares ao longo de todo o ano.

Além de preservar o solo e racionar o uso de água, o sistema permite um aumento no sequestro de carbono. Para Sergio Martins Barbosa, presidente da RAR, o investimento na saúde da planta fortalece a base do sistema produtivo e cria condições para ganhos sustentáveis de produtividade.

Ureia 

O insumo subiu 40% em duas semanas no mercado interno. No curto prazo, oferta mais restrita, petróleo e gás natural em alta e aversão a riscos tendem a manter o mercado ajustado e volátil, segundo analistas do Itaú BBA (Folha)

Related Posts

  • All Post
  • Agricultura
  • Clima
  • Cooperativismo
  • Economia
  • Energia
  • Evento
  • Fruta
  • Hortaliças
  • Meio Ambiente
  • Mercado
  • Notícias
  • Opinião
  • Pecuária
  • Piscicultura
  • Sem categoria
  • Tecnologia

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Edit Template

Quer receber notícias do nosso Diário do Agro?
INSCREVA-SE

You have been successfully Subscribed! Ops! Something went wrong, please try again.

© 2024 Tempo de Safra – Diário do Agro

Hospedado e Desenvolvido por R4 Data Center