Por José Roberto Mendonça de Barros
Enquanto isso, as empresas americanas estão caminhando para serem locais, produzindo veículos enormes movidos a gasolina e diesel para o gosto do mercado interno.
Até pouco tempo atrás, muita gente achava que o caminho em direção à energia sustentável seria rápido. Entretanto, embora a necessidade da transição energética seja indiscutível, a marcha acelerada implica em custos muito elevados. O desenvolvimento de novas soluções leva tempo.
Simultaneamente, a indústria do petróleo contra-atacou com um argumento sedutor: a transição energética só poderá ser financiada com impostos e royalties associados à maior produção, como vem ocorrendo.
Esta ofensiva foi reforçada pela eleição de Trump, um negacionista climático agressivo, que desmontou os incentivos à energia alternativa, ao mesmo tempo que estimula as empresas a aumentar a produção, inclusive na Venezuela.
Este movimento está consolidando uma grande divergência entre EUA e China no que tange à estratégia energética, opondo fontes sustentáveis e a regressão petroleira.
Entretanto, hoje está claro que a rota da energia sustentável já mostra um domínio absoluto, ponto levantado pelo brilhante relatório Top Risks 2026, da Consultoria Eurasia, divulgado na virada do ano.
Dois grupos de dados são eloquentes. Ancorada em fontes alternativas, a produção de energia elétrica vem crescendo aceleradamente na China, enquanto está estagnada nos EUA. Em 2024, a China produziu 2,5 vezes mais do que seu concorrente (em TWh).
Ao mesmo tempo, os chineses exportam tecnologia verde (painéis solares, veículos elétricos, baterias etc) em maior valor, do que óleo e gás pelos EUA. Esta vantagem vem se ampliando, até porque, o mercado de petróleo está muito bem abastecido, os preços estão caindo e o pico global de consumo está muito mais próximo do que se imagina.
Por exemplo, as emissões de CO₂ da China, depois de décadas de rápido crescimento, estão estáveis nos últimos 18 meses, como mostra o site CarbonBrief. Isto é fruto direto do maior uso da energia sustentável.
Outro efeito relevante da disputa energética se dá no setor automotivo. Em 2025, a China produziu 30 milhões de veículos leves, dos quais 16 milhões foram elétricos e similares. Os EUA produziram 15,4 milhões, sendo 3,2 elétricos, mas com forte queda no último trimestre devido ao fim dos subsídios.
A COX Automotive, uma consultoria, projeta uma queda de vendas de 37% em 2026. As empresas americanas estão caminhando para serem locais, produzindo veículos enormes movidos a gasolina e diesel para o gosto do mercado interno (Estadão)




