O capim-amargoso (Digitaria insularis) é hoje uma das plantas daninhas mais preocupantes do agronegócio brasileiro. Altamente adaptável e agressiva por ser uma gramínea tropical e com grande capacidade de propagação, a espécie compromete a produtividade de culturas como soja e milho. O problema se agrava diante dos casos de resistência múltipla a herbicidas, registrados em diferentes regiões do país.
Resistência que avança
Os primeiros casos de resistência foram documentados em 2008, no Paraná, contra o glifosato. Em 2016, o problema evoluiu para resistência a graminicidas (fenoxaprop e haloxyfop). Quatro anos depois, em 2020, produtores de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul se depararam com uma situação ainda mais desafiadora: resistência múltipla ao glifosato e aos graminicidas. Recentemente, foram identificados novos casos de resistência múltipla e cruzada aos herbicidas cletodim, haloxifope-P-metílico e glifosato. Desde então, o problema vem se agravando, com resistência a diferentes grupos químicos sendo observada em várias regiões do país, o que torna o manejo do capim-amargoso cada vez mais complexo.
Segundo João Eduardo Brandão Boneti, Especialista de Desenvolvimento de Negócios da Ourofino Agrociência, essa evolução ameaça diretamente a eficiência dos herbicidas e, consequentemente, a rentabilidade das lavouras: “Além de competir por água, luz e nutrientes, a infestação em estágios iniciais pode inviabilizar o chamado ‘plantio limpo’ – condição essencial para o bom estabelecimento das culturas.”
Causas e implicações
O avanço da resistência está associado, principalmente, ao uso repetitivo de um mesmo mecanismo de ação, como o glifosato. Essa prática intensifica a seleção natural de biótipos resistentes, que se disseminam rapidamente pelo vento e ampliam a infestação em novas áreas agrícolas.
“O capim-amargoso se tornou uma das plantas daninhas mais difíceis de controlar na agricultura tropical, já que tem alta complexidade de manejo, devido à sua biologia e à expansão contínua da resistência a herbicidas, o que compromete especialmente o controle em pós-emergência. Por isso, o produtor precisa estar atento a estratégias integradas de manejo e realizar o monitoramento constante da lavoura”, destaca Boneti.
Soluções
Como alternativa, o especialista da Ourofino Agrociência recomenda a adoção do Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD), que combina rotação de culturas, uso de sementes certificadas, limpeza de maquinário e, principalmente, a alternância de produtos com diferentes mecanismos de ação para evitar a pressão de seleção sobre uma única classe de herbicidas.