Capacidade de produção de biometano dobra no agro

Setor encerrou 2025 com 23 unidades em construção ou já concluídas no Brasil.

O agronegócio brasileiro encerrou o ano de 2025 com 23 unidades de produção de biometano a partir de resíduos em construção ou já concluídas e à espera de autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para operar. Essas indústrias farão com que o setor praticamente dobre sua capacidade instalada de produção de biometano no país, de acordo com dados levantados junto à agência.

Os novos projetos têm conjuntamente uma capacidade instalada 688,1 mil metros cúbicos por dia. Atualmente, o país tem oito plantas de biometano ligadas ao setor agropecuário, que têm somadas capacidade para produzir 355,9 mil metros cúbicos por dia.

Se forem consideradas as plantas de biometano não só de agro, mas também de outras origens, como de aterros sanitários, o Brasil tem hoje 17 plantas de produção do gás renovável em atividade, e 42 unidades em construção.

O surgimento de novos projetos ocorreu em um ano da consolidação do marco regulatório, com a implementação da Lei do Combustível do Futuro. O programa prevê que produtores e importadores de gás natural precisarão adquirir biometano ou certificados lastreados em biometano para atender metas de redução de emissões de efeito estufa a partir deste ano.

Apesar do avanço, o setor ainda explora uma pequena fração do seu potencial. “Se considerarmos esses projetos que já estão autorizados e os que estão previstos, alcançaremos um pouco mais de 5% do nossos potencial. Ainda tem muito espaço para ser explorado”, afirma Talyta Viana, coordenadora técnica e regulatória da Associação Brasileira do Biogás (Abiogás).

O setor sucroenergético concentra quase 50% do potencial atribuído ao agronegócio. O biometano é produzido a partir de resíduos como vinhaça e torta de filtro, subprodutos da cana-de-açúcar, mas outras cadeias também despontam. “Temos em todos os Estados um potencial enorme para a produção de biogás e biometano, seja ele de soja, de milho, do setor sucroenergético, de macaxeira, de açaí”, exemplifica.

Inicialmente, o programa Combustível do Futuro previa uma meta de redução de emissões de 1% em 2026, mas em consulta pública aberta pelo Ministério de Minas e Energia (MME), a Pasta sugere uma meta de redução de 0,25%.

Metas para o setor

Para o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que propôs a lei do Combustível do Futuro, a redução da meta no primeiro ano não é um problema. “Foi menos por questão de custo e mais por uma questão de tecnologia, de adaptação. É um ajuste no curto prazo para [a política] dar certo no médio prazo”, afirma.

Tiago Santovito, diretor da Abiogás, diz que “a determinação desta meta vai ajudar a destravar investimentos”, e já há projetos prontos e capital disponível à espera dessa definição.

A lei prevê que a meta de descarbonização pode chegar a até 10% do volume de gás natural comercializado no país, o que significaria um potencial de crescimento de 6 milhões a 7 milhões de metros cúbicos por dia na produção de biometano, a depender do consumo.

Projeção e demanda

Para 2026, um dos marcos esperados é a emissão do primeiro Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB), que vai funcionar como um selo de rastreabilidade do combustível. “Emitir esse certificado e saber o quanto ele vai custar é fundamental para destravar novos investimentos”, diz.

Um dos exemplos de integração entre produção e mercado vem do interior paulista. Presidente Prudente se tornou a primeira cidade do país a contar com uma rede urbana abastecida com biometano produzido a partir de resíduos da cana, fornecido pela Usina Cocal, na cidade de Narandiba. “Esse biometano entra numa rede de distribuição e essa rede abastece residência, comércio, indústria, posto de gasolina, via GNV”, explica.

Outro fator que impulsiona o setor é o uso do biometano como substituto na frota pesada, com potencial de reduzir em até 90% as emissões e substituir importação de fósseis.

Talyta Viana diz que “se aproveitássemos todo o potencial de biometano, teríamos capacidade de suprir mais de 100% da importação”. O biometano tem potencial para substituir 60% do consumo nacional de diesel, superando o volume importado atualmente, de 30% da demanda.

Estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) aponta que o biometano pode apresentar intensidade de carbono inferior a 10 gramas de gás carbônico equivalente por megajoule, considerando todo o ciclo de vida do combustível. O patamar é bem inferior ao dos combustíveis fósseis.

Por isso, a Abiogás defende que o biometano ocupe posição central em iniciativas como no compromisso “Belém 4X”, lançado pelo Brasil na COP30, que prevê quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis até 2035. (Colaborou Camila Souza Ramos, de São Paulo) (Globo Rural)

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