- País chega a 32,5 milhões de toneladas neste ano, e exporta 11 milhões, segundo a Conab
- Demanda externa ajusta preços internos, que subiram 94% nos últimos sete anos
O Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) surpreendeu boa parte do mercado brasileiro ao anunciar, neste mês, que o Brasil ultrapassou os Estados Unidos na produção de carne bovina. A estimativa era de que isso só ocorreria em dois anos. A antecipação aconteceu porque o ritmo de produção de proteínas no Brasil vem sendo intenso. Ganho de produtividade e demandas interna e externa dão suporte a essa evolução.
O Brasil deverá terminar 2025 com uma produção acumulada de 32,5 milhões de toneladas de carnes bovina, suína e de frango, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), 23% a mais do que em 2018. O Usda prevê o mesmo volume. A maior oferta dessas três proteínas ocorre tanto pelo aumento do consumo interno como pelas exportações.
O brasileiro consome 45,5 kg de carne de frango por ano, 8,1% a mais do que em 2017, e o consumo de carne suína subiu para 18,6 kg, 26,5% a mais no período, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). O de carne bovina está estável em 30 kg, aponta a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).
O salto dessa evolução da produção veio com um aumento de produtividade. Em 2020, o peso médio da carcaça bovina era de 262 kg por animal, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em setembro, pela primeira vez, atingiu 303 kg, com a produção de carne bovina superando 1 milhão de toneladas em um mês, segundo a consultoria Athenagro. A produtividade da carcaça suína, que era de 90,7 kg em 2020, está em 94,2 kg, e a de frango subiu para 2,1 kg por ave no período, pelos dados do IBGE.
O impulsionador da produção brasileira dessas três proteínas, no entanto, foi o mercado externo. O Brasil entrou com mais força nesse mercado quando a urbanização e a renda subiram em vários países, e a demanda por proteína cresceu em ritmo forte. Neste período, principalmente a partir de 2017, grandes produtores e consumidores começaram a ter sérios problemas com doenças de animais, o que não ocorreu no Brasil. O país ganhou força no mercado mundial.
A China foi o motor. Em 2015, o Brasil exportou 406 mil toneladas de carnes bovina, suína e de frango para os chineses. Neste ano, até novembro, o volume chega a 1,9 milhão. A carne de frango brasileira teve uma forte demanda no período mais agudo da gripe aviária no país asiático, e a suína no período da peste suína africana. A bovina, além de ajudar na retração da oferta das duas anteriores, foi se incorporando cada vez mais no hábito alimentar da população que ascendia de classe.
O Brasil produz 11% dos 287 milhões de toneladas da produção mundial dessas três proteínas, e o consumo nacional representa apenas 7,7% do volume mundial consumido, dando folga para as exportações. A China importa 16% do que é transacionado mundialmente, que é de 32,7 milhões de toneladas. Tomando-se com base 2017, os chineses importavam 49 mil toneladas de carne suína brasileira, volume que atingiu 533 mil em 2021; as importações de frango subiram de 391 mil para 672 mil em 2020; e a bovina avançou de 211 mil para 1,5 milhão neste ano.
A forte demanda internacional influenciou os preços internos. No Brasil, a inflação acumulada da carne bovina é de 95% desde o início de 2019; a de frango, de 94%, e a suína, de 93%, segundo dados da Fipe. A inflação geral subiu 46% no período, e a de alimentos, 76% (Folha)





