Setor estuda o que fazer com 600 mil toneladas que não serão exportadas ao mercado chinês.
O Brasil deve atender até a primeira semana de maio toda a cota de exportação de carne bovina para a China. Foi o que afirmou, nesta quarta-feira (8/2), o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, durante o Encontro de Confinamento e Recriadores realizado pela Scot Consultoria em Ribeirão Preto (SP).
Ele disse que houve uma aceleração dos embarques em março, depois que o governo decidiu não regular as exportações, e o volume exportado nos primeiros três meses já passou de 40% da cota. Ressaltou, no entanto, que as autoridades chinesas ainda não consolidaram os números do mês passado.
Para o executivo, a questão da cota, que reduziu 35% o volume de importação de carne brasileira pela China neste ano, é a principal preocupação do setor, já que as negociações para uma revisão do volume não avançaram e não há no horizonte abertura rápida de novos mercados para receber a carne que iria para a China.
Perosa disse ainda que o caso recente de febre aftosa registrado no norte da China não tem impacto para o Brasil, porque foram abatidos 10 mil animais, número pequeno e pouco representativo do rebanho chinês.
Carne não exportada
Perosa afirma que a grande preocupação agora é com o “pós-cota China”, ou seja, o que fazer com as cerca de 600 mil toneladas referentes a 3 milhões de cabeças que deixam de seguir para a China no segundo semestre por imposição da salvaguarda.
O dirigente diz não acreditar que seja viável uma triangulação de carne brasileira para a China via Vietnã, que abriu o mercado para a carne brasileira no ano passado, mas consome mais bubalinos, ou via Hong Kong, que importa miúdos do Brasil e manda pra China.
Para Perosa, a abertura de mercado da Coreia do Sul seria interessante, mas mesmo com a antecipação das inspeções de plantas brasileiras pelos sul-coreanos para junho, o processo ainda demora.
“E não podemos esquecer que a cota chinesa deve ser válida também para 2027 e 2028.”
Para Perosa, a justificativa da China para a imposição de cotas é política, sem nenhum embasamento técnico porque a pecuária chinesa não consegue vender para a indústria a preços competitivos.
“A salvaguarda chinesa pega todos os países, mas foi o Brasil que teve a maior redução. Eles devem ter pensado que poderiam tirar mais do Brasil porque o impacto não seria tão grande, já que exportamos muitas outras commodities para lá, como a soja. Mas impacta demais o nosso setor porque a China foi o destino de 46% das nossas exportações de carne bovina no ano passado.”
Segundo ele, as alternativas são continuar negociando, embora o governo brasileiro esteja sendo muito receoso nessa negociação, apostar na abertura de novos mercados onde o consumo de carne bovina seja grande e ganhar mais produtividade.
A trégua da guerra no Irã é um alento para o setor, mas prevalece a imprevisibilidade, diz. Segundo o dirigente, ainda é preciso ver quando os navios com carne poderão seguir viagem pelo estreito de Ormuz e como ficarão os valores dos contêineres refrigerados, que mais que dobraram durante a guerra (Globo Rural)






