Por Roberto Furian Ardenghy
Num momento de grandes conturbações geopolíticas globais, a indústria de óleo, gás e biocombustíveis no Brasil vive um período de grande robustez econômica e de maturidade técnica e tecnológica. Ao encerrarmos 2025, os dados consolidados no Outlook IBP 2025-2029 revelam uma realidade incontestável: o setor não é apenas uma engrenagem da nossa economia, mas um dos principais motores do nosso desenvolvimento. Hoje, respondemos por cerca de 17% do PIB industrial brasileiro, garantindo segurança energética ao País.
O Brasil se consolidou nas últimas décadas como o 8.º maior produtor e consumidor de petróleo do mundo, mostrando que não basta ter reservas de petróleo, é preciso ter determinação, competência técnica e ambiente regulatório para monetizar esta riqueza que é de todos nós.
E vamos avançar ainda mais nesse ranking. Em 2025, foi concedida a licença pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a perfuração na Margem Equatorial brasileira. Investigar o potencial das bacias sedimentares brasileiras é uma necessidade pragmática.
Com reservas estimadas em 30 bilhões de barris de óleo equivalente in place, essa nova fronteira poderá garantir a segurança energética que o País precisa e a manutenção do Brasil como exportador líquido de energia nas próximas décadas, compensando o declínio natural das Bacias de Campos e Santos (pré-sal).
Ao projetarmos o ano de 2026, o otimismo é sustentado por dados sólidos. O Outlook IBP indica que a produção nacional manterá sua trajetória de ascensão, rumo ao patamar de 4,2 milhões de barris por dia em 2028. Esse crescimento gera um ciclo virtuoso de riqueza distribuída: a indústria é responsável por uma arrecadação anual superior a R$ 325 bilhões para os cofres da União, Estados e municípios, considerando os dados de 2023.
Em 2026, prevemos que esses aportes continuem a financiar infraestrutura, saúde e educação em centenas de municípios, mostrando que o petróleo brasileiro é o combustível do desenvolvimento social.
Mas a liderança do Brasil não se limita à extração de petróleo e gás natural. Somos protagonistas de uma transição energética que o mundo tenta decifrar. Enquanto muitas nações ainda buscam fórmulas para reduzir emissões, o Brasil já opera com uma das menores intensidades de carbono do planeta.
Nossa produção no pré-sal, que corresponde a mais de 2/3 do total do Brasil, emite cerca de 10 kgCO₂/boe — metade da média global. Além disso, a integração com os biocombustíveis é o nosso principal diferencial competitivo. Em 2026, com o amadurecimento das políticas da Lei Combustível do Futuro, veremos a consolidação do combustível sustentável de aviação (SAF) e do diesel verde como realidades comerciais, reafirmando nossa posição como o segundo maior produtor mundial de biocombustíveis.
Esse ecossistema de inovação e pujança econômica terá o seu palco definitivo em setembro de 2026, no Rio de Janeiro, com a realização da ROG.e. O evento marcará um novo paradigma para a agenda de negócios no País. Retornando ao Riocentro em uma escala sem precedentes, a ROG.e deixa de ser apenas uma conferência técnica para se tornar o maior festival de energia do planeta.
Esperamos receber mais de 80 mil participantes de dezenas de países para discutir não apenas o óleo e o gás, mas a integração de fontes, a descarbonização e as novas tecnologias digitais que estão transformando o chão de fábrica e as plataformas.
O desafio que se impõe para 2026 e nos anos seguintes é o de manter a previsibilidade regulatória e a segurança jurídica que atraíram investimentos bilionários nos últimos anos. Precisamos de um ambiente de negócios que incentive a exploração, valorize o gás natural como insumo para a reindustrialização e reconheça a competência da nossa engenharia.
O futuro da energia é plural, digital e de baixo carbono. O Brasil, pela sua geografia e pelo seu capital humano, está vocacionado a liderar esse processo. No Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), seguimos comprometidos em ser a voz dessa indústria que não teme o futuro, pois está ocupada em construí-lo todos os dias, unindo a força do pré-sal à promessa da Margem Equatorial e de outras regiões e à sustentabilidade dos biocombustíveis. Estamos prontos para 2026 (Roberto Furian Ardenghy é presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP); Estadão)







