Aumento da mistura de biodiesel não é prioridade do governo, afirma Fávaro

Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve se reunir na quinta-feira (19/3); expectativa é de que discuta o aumento da proporção para 16%.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse, nesta terça-feira (17/3), que o aumento da mistura de biodiesel no diesel fóssil está em pauta dentro do governo, mas não é uma prioridade. Fávaro fez a declaração em entrevista coletiva, depois do Fórum Empresarial Brasil-Bolívia, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O evento reuniu delegações e autoridades dos dois governos. Integrou a agenda oficial da visita do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, ao Brasil. Na segunda-feira (16/3), Paz esteve em Brasília, onde se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Não é a pauta prioritária neste momento, mas o debate está posto”, disse o ministro, acrescentando ser um “defensor dos biocombustíveis.

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve se reunir na próxima quinta-feira (19/3). A expectativa é de que se coloque em pauta o aumento da proporção de biodiesel para pelo menos 16%, um ponto percentual a mais do que a atual, com a intenção de reduzir os efeitos da alta de preços do petróleo sobre os combustíveis, causada pela guerra no Oriente Médio.

 Fávaro evitou dizer se tem a expectativa de alteração na mistura. Afirmou apenas que os atuais 15% já representaram um aumento de pelo menos 50% na demanda por matérias-primas para a produção do biocombustível, diminuindo impacto de incertezas globais e aumentando a renda na cadeia produtiva.

O ministro da Agricultura classificou como um movimento especulativo o aumento dos preços de combustíveis no mercado brasileiro depois do início da guerra no Oriente Médio. Federações de agricultura de Estados como Rio Grande do Sul e Paraná informaram ter relatos até mesmo de escassez do combustível.

Fávaro relacionou a situação à privatização da BR Distribuidora, vinculada à Petrobras, em 2021, ainda durante o governo de Jair Bolsonaro. Em sua visão, vender a empresa vinculada à estatal do petróleo foi um ataque à soberania nacional.

O ministro da Agricultura destacou que o governo está adotando medidas para conter o que chamou de movimento especulativo, como a redução de impostos, tributação de exportações e ações de combate a práticas irregulares (Globo Rural)

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