Anúncio de tarifas dos EUA contra quem exporta ao Irã acendeu um alerta sobre possíveis impactos ao comércio brasileiro.
As exportações do agronegócio brasileiro para o Irã totalizaram US$ 2,92 bilhões em 2025, queda de 2,7% em relação a 2024, quando os embarques somaram US$ 3,00 bilhões.
O principal produto da pauta foi o grupo de cereais, farinhas e preparações, que alcançou US$ 1,98 bilhão em 2025, respondendo por cerca de 68% do total exportado. O valor representa uma redução em relação a 2024, quando as vendas desse segmento superaram a marca de US$ 2 bilhões.
O complexo soja ficou na segunda posição, com exportações de US$ 745,8 milhões em 2025, o equivalente a 25,5% do total. O desempenho também foi inferior ao registrado em 2024, refletindo a retração dos embarques para o mercado iraniano ao longo do último ano.
Já o complexo sucroalcooleiro somou US$ 189,1 milhões em 2025, participação de 6,5% nas exportações do agro para o Irã. O valor ficou abaixo do observado em 2024, acompanhando o movimento geral de queda das vendas ao país.
Os demais produtos exportados tiveram participação marginal na pauta, com valores individuais inferiores a 1% do total embarcado pelo agronegócio brasileiro para o Irã em 2025.
Já as importações brasileiras do Irã representam um volume bem menor. No ano passado, o Brasil comprou cerca de US$ 84 milhões do país, com destaque para adubos e fertilizantes, que corresponderam a 79% do total, além de frutas, nozes, pistaches e uvas secas.
Tarifas dos EUA
As exportações brasileiras para o mercado iraniano ganharam atenção após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar nesta segunda-feira (12/1) que irá impor tarifas de 25% sobre países que mantiverem relações comerciais com o Irã.
Segundo o republicano, a taxa será aplicada “sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos” por esses países e entraria em vigor imediatamente, embora a Casa Branca ainda não tenha divulgado detalhes formais da medida.
O anúncio acendeu um alerta sobre possíveis impactos ao comércio brasileiro, sobretudo no agronegócio, principal beneficiário da relação com Teerã.
O governo federal informou que aguarda a publicação da ordem executiva americana para se manifestar oficialmente sobre o tema (Globo Rural)
Ameaça de tarifa dos EUA reacende alerta sobre dependência de ureia
Insumo essencial para a fabricação de fertilizantes nitrogenados é o principal produto do Irã comprado pelo Brasil.
A intenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 25% sobre países que mantenham relações comerciais com o Irã, deixou setores do agronegócio brasileiro em alerta. Na segunda-feira (12/01), Trump manifestou esse desejo em postagem em uma rede social.
As exportações do agro brasileiro para o Irã totalizaram US$ 2,92 bilhões em 2025, puxadas especialmente pelo grupo cereais, farinhas e preparações, com US$ 1,98 bilhão. A receita coloca o país do Oriente Médio como o 11º principal destino dos produtos agropecuários do Brasil.
Mas a importância do Irã para o agro vai além dos produtos que consome. Dados do Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), indicam que as importações brasileiras vindas do Irã somaram US$ 84,5 milhões em 2025. O principal produto comprado foi a ureia, insumo essencial para a fabricação de fertilizantes nitrogenados.
Somente a ureia respondeu por US$ 66,8 milhões do total importado no ano, com um volume de aproximadamente 184,7 mil toneladas, segundo o levantamento oficial. Na sequência aparecem produtos como pistache, uvas secas e outras frutas, com participação bem menor no valor total.
Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência De Mercado da StoneX, o Irã é um dos maiores exportadores globais de ureia, de modo que qualquer tensão no Oriente Médio gera temor sobre a oferta global de nitrogenados. Os maiores fornecedores de ureia para o Brasil, em 2025, foram Nigéria, Omã e Catar. No entanto, há suspeitas no mercado de que cargas iranianas chegam ao Brasil por outras bandeiras, uma vez que os iranianos já são alvos de sanções internacionais.
Na avaliação de Pernías, o cenário geopolítico deixa clara a necessidade de o país reduzir a dependência dos fertilizantes importados. “Caso o Brasil aumente a oferta de nitrogenados produzidos internamente, isso pode colaborar para aliviar ou amortecer em alguma medida esses impactos”, analisa.
A intenção da Petrobras de retomar a produção de fertilizantes pode mudar esse panorama nos próximos anos, segundo o analista. “Mas, como o Brasil importa uma grande quantidade de ureia, e inicialmente a produção da Petrobras vai estar em quantias bem menores, o Brasil vai continuar importando volumes importantes de ureia, sulfato de amônia e de nitrato”, observa Pernías (Globo Rural)
Como as tensões políticas do Irã podem afetar o comércio de milho do Brasil
Mercado iraniano foi o principal comprador de milho brasileiro em 2025; exportadores conseguem realocar embarques, dizem analistas.
A ameaça do presidente americano Donald Trump de taxar em 25% países que façam negócios com o Irã gerou uma nova onda de incertezas no agronegócio brasileiro e temor de uma reedição do tarifaço aplicado pelos EUA a alguns produtos nacionais.
Se tal medida for aplicada, o Brasil pode ser afetado, uma vez que, em 2025, exportou quase US$ 3 bilhões em produtos agrícolas ao Irã, com destaque principalmente para o milho.
Dados do Ministério da Agricultura mostram que o Irã foi o principal comprador de milho brasileiro em 2025. Foram 9 milhões de toneladas, mais que o dobro da quantidade importada pelo país do Oriente Médio no ano anterior. Esse volume representa cerca de 23% do total exportado pelo Brasil.
Para Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, apesar das ameaças de Trump, é difícil imaginar que alimentos façam parte de uma lista de produtos sujeitos ao aumento de tarifas.
“Ainda não dá para dizer como esse anúncio afeta o comércio de milho. Trump declarou que vai taxar quem faz negócios com o Irã, mas não o vejo proibindo o comércio de milho ou de alimentos em geral, uma vez que a população iraniana já está em uma situação social complicada”, disse.
O milho importado pelo Irã abastece a indústria nacional de produção de frangos, a quarta maior do continente asiático.
Ainda que o Brasil exporte um volume relevante de milho para o Irã, os exportadores teriam capacidade de destinar esses volumes para outros mercados, na opinião de analistas.
Na avaliação de Tiago Medeiros, diretor da trading Czarnikow, algum país pode passar a vender milho para o Irã, enquanto se reabastece com a oferta do Brasil. “Os iranianos não deixarão de comer”.
Para Willian Hernandes, sócio da consultoria FG/A, a dificuldade de alocação do milho que hoje vai para o Irã só será uma questão se uma eventual restrição dos EUA perdurar por muito tempo. No curto prazo, ele acredita que seria possível alocar o milho excedente para outros destinos, ou armazená-lo nos estoques.
Em boletim, o analista da Royal Rural, Ronaldo Fernandes, disse que “o mercado já começa a fazer conta. Se o Brasil mantiver esse fluxo com o Irã, entra no radar das tarifas dos EUA. Se reduzir, sobra milho aqui dentro”.
No entanto, ao Valor, Fernandes disse que é pouco provável que nova ameaça de Trump prospere, já que ela pode ser prejudicial para China. “O principal parceiro comercial do Irã é a China. Trump já estabeleceu uma pausa nas tarifas com os chineses até novembro, e não vai querer desfazer isso agora”, estimou, lembrando que para os americanos é importante manter a boa relação comercial com a China, especialmente após Trump projetar o comércio de 12 milhões de toneladas de soja com o país asiático.
Ainda segundo ele, a eventual aplicação de taxas não teria grande impacto para o milho brasileiro no curto prazo, pois o forte das compras de Teerã acontece apenas em junho.
Impacto das importações
O Irã é o 11 principal destino dos produtos agropecuários do Brasil. Mas a importância do país do Oriente Médio para o agronegócio nacional vai além dos produtos que consome.
Dados do Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), indicam que as importações de produtos agrícolas do Irã somaram US$ 84,5 milhões em 2025. O principal foi a ureia, insumo essencial para a fabricação de fertilizantes nitrogenados.
Somente a ureia respondeu por US$ 66,8 milhões do total importado no ano. Na sequência aparecem produtos como pistache, uvas secas e outras frutas, com participação bem menor no valor total.
Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência De Mercado da StoneX, o Irã é um dos maiores exportadores globais de ureia, de modo que qualquer tensão no Oriente Médio gera temor sobre a oferta global de nitrogenados.
Os maiores fornecedores de ureia ao Brasil, em 2025, foram Nigéria, Omã e Catar. No entanto, há suspeitas, no mercado, de que cargas iranianas chegam ao Brasil por outras bandeiras, uma vez que o Irã já é alvo de sanções internacionais.
Na avaliação de Pernías, o cenário geopolítico deixa clara a necessidade de o Brasil reduzir a dependência dos fertilizantes importados. “Caso o Brasil aumente a oferta de nitrogenados produzidos internamente, isso pode colaborar para aliviar ou amortecer em alguma medida esses impactos”, disse (Globo Rural)




