Agro brasileiro exportou US$ 11,7 bi em 2025 para região da guerra

  • Relevante importadora de alimentos do Brasil, área sofre com ruptura logística
  • Brasil vende carnes, milho, açúcar e soja e compra fertilizantes
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Fevereiro de 2022. A Rússia invade a Ucrânia e o resultado é um desajuste em preços de grãos e de insumos agrícolas no mundo, com uma aceleração da inflação mundial, que já vinha subindo devido à pandemia.

Quatro anos depois, Estados Unidos e Israel bombardeiam o Irã. Donald Trump, assim como Vladimir Putin esperava, prevê uma solução rápida para o novo conflito. Será? Independentemente do tempo de duração, a agricultura será afetada por essa nova escalada bélica, iniciada por Trump.

O custo imediato para o Brasil virá do diesel, um dos principais componentes de gastos nas lavouras. Assim como na invasão da Ucrânia, o conflito ocorre em um período de colheita de soja, compra de insumos para a safra 2026/27 da oleaginosa e preparação do plantio de milho. O custo será alto para a agricultura porque o conflito não se limita ao Irã, país que importa US$ 3 bilhões ao ano em commodities brasileiras. Ele atinge toda a região do Golfo Pérsico.

Pelo menos uma dúzia de países, de alguma forma, já foi envolvida na guerra. Se o cenário deste ano repetir o de 2022, o custo de fertilizantes, de fretes e de seguros subirá. Ao ser bombardeado, o Irã levou o conflito para várias outras áreas do Oriente Médio, atacando bases americanas ou centros comerciais. O Brasil exportou US$ 11,7 bilhões em produtos do agronegócio para essa região no ano passado e importou o correspondente a US$ 2,3 bilhões, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Um cenário ainda mais desastroso seria o fechamento prolongado do estreito de Hormuz. Só em frete e em seguros, o país pagou US$ 157 milhões em 2025 nas importações desses países. Essa conta ficaria muito mais salgada.

Entre as importações brasileiras estão fertilizantes, a principal dependência externa do país no agronegócio. No ano passado, o Brasil importou 45,5 milhões de toneladas de adubos, com gastos de US$ 15,5 bilhões. A China ultrapassou a Rússia e passou a ser líder no fornecimento, mandando 12 milhões de toneladas do insumo para o Brasil.

Os países do Oriente Médio envolvidos no conflito atual forneceram 5,5 milhões. Assim como ocorreu em 2022, apesar de localizada, a guerra deverá mexer com os preços no mundo todo. O setor agrícola, tanto no Brasil como nos demais países produtores, já passa por um período de aumento de custos e de queda de receitas.

Entre as exportações brasileiras, as carnes estão no topo da lista. Foi 1,65 milhão de toneladas para a região, no valor de US$ 4,15 bilhões. Os cereais e o açúcar vêm a seguir, com receitas de US$ 2,78 bilhões e US$ 2,21 bilhões, respectivamente. Uma ruptura dos canais normais do comércio, novos desafios logísticos e aumento de custos, tanto na produção como no transporte de commodities, trazem volatilidade aos preços, pressionando a taxa de inflação mundial.

Isso pode ocorrer bem quando os preços dos alimentos se estabilizam no mercado internacional. Com a invasão da Ucrânia, Putin fez os preços médios dos alimentos subirem 18% em dois meses. Os preços vêm caindo e estão atualmente no menor patamar mundial dos últimos 18 meses, seguindo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). Em quanto tempo Trump vai provocar um deslocamento dessa curva? Os países da região, preocupados com suas economias, baseadas em energia fóssil e centro financeiro, devem pressionar por uma solução rápida (Folha)

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