O acordo entre Mercosul e União Europeia prevê a eliminação de tarifas para cerca de 90% do comércio entre os blocos ao longo de até 15 anos e estabelece cotas específicas para produtos sensíveis do agronegócio, como carne bovina, aves, açúcar e etanol. Em contrapartida, impõe exigências mais rígidas em rastreabilidade, padrões sanitários e compromissos ambientais, incluindo cláusulas vinculadas ao Acordo de Paris.
A avaliação foi apresentada durante o AgroTalk Mind, encontro promovido pelo Agrotalk Meeting — plataforma dedicada a debater o futuro do agronegócio e sua integração às cadeias globais de produção — realizado no Theatro Municipal de São Paulo. A professora e especialista em política dos Estados Unidos Fernanda Magnotta ressaltou a importância do tratado, mas alertou sobre o papel geopolítico do Brasil para não ficar dependente de poucos parceiros.
“Hoje, a China responde por cerca de 30% das exportações brasileiras, o que reforça a concentração comercial e a importância de ampliar parcerias estratégicas. O Brasil precisa consolidar uma identidade clara na política externa ligada ao agro para fortalecer sua posição nas negociações internacionais”, afirma Fernanda.
Para o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, o protagonismo brasileiro nas negociações com o exterior passa pela capacidade de responder às grandes pressões globais. “O planeta enfrenta quatro grandes ameaças: segurança alimentar, transição energética, mudanças climáticas e desigualdade social. O agro tropical pode ser a resposta a esses desafios, e o Brasil tem potencial para liderar esse movimento com equilíbrio entre sustentabilidade e produtividade.”




