Objetivo ter mais assertividade nos prognósticos, com maior densidade na América do Sul, seguindo padrões de monitoramento nos EUA e Europa
A Cocamar Cooperativa Agroindustrial e três associações de municípios da região noroeste do Paraná acabam de formalizar acordo para a criação de uma Rede Colaborativa inédita no país, por meio da qual pretendem obter mais assertividade nos prognósticos de previsão do tempo e análises climáticas e, assim, contar com uma ferramenta para auxiliar gestores públicos na programação de obras, orientar produtores rurais no planejamento de suas lavouras e apoiar a defesa civil no monitoramento de eventos extremos, entre outros fins.
INOVAÇÃO – Envolvendo inicialmente 60 municípios em um raio de 16,5 mil quilômetros quadrados, a Rede é uma inovação proposta pela Cocamar, que há cinco anos trabalha com serviços avançados de pós-processamento de dados de previsão do tempo. Entre as maiores em seu setor no estado, a cooperativa já possui uma rede com 55 estações meteorológicas instaladas em propriedades de produtores cooperados e espalhadas por várias regiões. A isso foi somada uma tecnologia suíça de pós processamentos dos dados coletados nas estações, fornecida pela Meteoblue, que permite alcançar índices de assertividade superiores a 80% nos prognósticos de curto prazo.
CONFIÁVEIS – Por meio desta tecnologia, os usuários vão ter acesso a um leque de imagens e dados mais confiáveis, que vão ser disponibilizadas no site da cooperativa, das prefeituras e em um aplicativo. “É dessa forma que são monitoradas as tempestades e as oscilações climáticas nos Estados Unidos e Europa”, mencionou o presidente executivo Divanir Higino, ao informar ainda que o sistema possibilita um acompanhamento “ao vivo” com atualização a cada 15 minutos e infere positivamente nos cálculos de previsão de até 14 dias.
ESTRUTURA SOFISTICADA – “A Cocamar tem como objetivo ajudar a desenvolver as regiões e, por meio dessa Rede Colaborativa, teremos informações estratégicas e de qualidade a serviço dos usuários no campo e nas cidades”, citou Higino. Ele explica que “não se trata de um serviço meteorológico comum e, sim, a implantação de uma sofisticada estrutura ainda não existente no Brasil e na América Latina, capaz de elevar o nível de informações nessa área a um novo patamar”.
LEVAR ADIANTE – A ideia, segundo o presidente do Conselho de Administração da Cocamar, Luiz Lourenço, é difundir esse sistema também junto a outras cooperativas, por meio da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), empresas e sensibilizar o governo do Estado, “dada a importância dessa previsibilidade para a segurança da população e levando em conta que a agricultura é o carro-chefe da economia estadual”.
PLANEJAMENTO – “Na agricultura, o sistema vai auxiliar o produtor no seu planejamento. Se a expectativa for de chuvas em uma semana, por exemplo, ele remaneja seu calendário de maneira a evitar possíveis perdas e aproveitar o momento mais favorável”, observou o superintendente Leandro Cezar Teixeira. “A Rede Colaborativa vai ser uma malha de dados auditáveis, que irá auxiliar em ferramentas importantes para os produtores como o seguro rural”, destacou o gerente executivo técnico Renato Watanabe.
METREOBLUE – “O sistema funciona como um radar meteorológico com visão três horas à frente, acompanhando a movimentação de nuvens e chuvas e as informações são processadas em supercomputadores da Meteoblue na Suíça”, acrescentou Watanabe, reforçando que a iniciativa vai impactar diretamente na gestão municipal, beneficiando os habitantes da região – população urbana e produtores rurais – com dados e alertas mais precisos.
ETAPAS – O coordenador técnico da Rede, Leonardo Dante, disse que o programa se desenvolve em quatro etapas: a primeira, as implantações da plataforma nos municípios; a segunda, prevê um estudo técnico dos pontos de monitoramento; a terceira, será a implantação da rede de estações; e, quarta, a configuração e a ativação do pós-processamento, por meio de Nowcasting. Os municípios participam apoiando a rede colaborativa e contratando a mesma plataforma de monitoramento com serviços avançados de satélite e pós-processamento dos dados da rede por uma inteligência artificial (IA) multimodelo.
ANTECIPAR – “Poder antecipar providências antes da ocorrência de possíveis catástrofes é o que precisamos como gestores públicos”, afirmou Juninho, presidente da Amusep e prefeito de Itaguajé, lembrando que os agricultores, em especial, têm muito a ganhar com isso.
SEGURANÇA – Para o presidente da Amunpar e prefeito de Terra Rica, Júlio Leite, o sistema vai proporcionar mais segurança aos turistas que frequentam as praias de água doce, como as de Porto Rico, recordando que há algum tempo uma tempestade trouxe pânico e deixou pessoas ilhadas. “Podemos emitir alertas sobre uma eventual mudança climática”, frisou, ao citar que seu município, propício a eventos com voo livre envolvendo participantes de várias regiões brasileiras e até de países vizinhos, terá como informar esse público antes que o mesmo se desloque até lá.
MELHORANDO – “Esse modelo vai fazer a diferença”, observou o presidente da Amenorte e prefeito de São Manoel do Paraná, referindo-se principalmente ao planejamento das atividades no campo. “Vamos ter mais confiabilidade nos dados meteorológicos, ajudando a agricultura, a defesa civil local e, em resumo, melhorando as condições de vida do nosso povo”.
NOVOS PONTOS – Após estudo do terreno a cargo de uma equipe técnica, os municípios se comprometem ainda a integrar novos pontos de monitoramento à Rede, ou seja, entre 2 a 4 estações em cada qual. O objetivo, na área de 16,5 mil quilômetros quadrados da rede, é contar com 200 estações e só a Cocamar se encarregou de integrar 35 pontos de monitoramentos. A expectativa é que, com a adesão das associações, o serviço esteja 100% ativo em setembro, mês em que inicia a semeadura da próxima safra de verão, e antes do período de chuvas normalmente mais intensas. (Jornal Cocamar)