Mercado precifica a crise semeada por Lula

Editorial Folha de S.Paulo

·         Com reeleição e queda abrupta das expectativas de ajuste orçamentário, juros futuros e dólar têm alta violenta

·         Medidas eleitoreiras agravaram o quadro; petista deveria começar logo a evitar uma derrocada em seu quarto e, provavelmente, último mandato

O dia seguinte à vitória eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi de derretimento dos mercados financeiros. Juros futuros, dólar e Bolsa de Valores passaram por ajustes violentos de preços, o que leva o pessimismo com os rumos da economia a um novo patamar.

A virada surpreendente que manterá Lula por mais quatro anos no Planalto reduziu bruscamente as expectativas de um ajuste sério das contas públicas. Sem contenção dos gastos do governo, agora elevados pela farra de medidas eleitoreiras da campanha petista, a inflação continuará pressionada e, com ela, o câmbio e a política monetária.

Não por acaso, o dólar registrou salto de 8,41%, atingindo R$ 5,409, enquanto os juros negociados para janeiro de 2031 subiram 2,6 pontos percentuais, para mais de 15% ao ano. Tal cenário coloca o país no rumo de uma recessão, o que explica a queda de 13,9% do Ibovespa.

À primeira vista, os números podem parecer em contraste com a situação corrente de desemprego baixo e atividade ainda em expansão. Os sinais de piora, no entanto, já se fazem sentir há meses, e não se limitam à desaceleração em curso da economia.

O endividamento das famílias e das empresas alcança níveis inauditos. A escalada da dívida pública, que já alcançou o equivalente a 82,9% do PIB, mantém os juros na estratosfera e encarece o crédito para o setor privado.

A situação fiscal já era grave antes do pacote reeleitoral de Lula, que soma R$ 290 bilhões em despesas, subsídios tributários e operações de crédito neste ano e no próximo. Só no Orçamento de 2027, pode haver R$ 40 bilhões em gastos extras ou queda de receitas, segundo estimativas.

O governo precisa de um superávit primário (sem contar encargos financeiros) de 2% do PIB para estabilizar a dívida, enquanto o que se tem são frágeis previsões de redução do déficit persistente.

Sem alteração em regras de indexação de despesas obrigatórias, maior eficiência e focalização de transferências sociais e revisão de vinculações constitucionais, a despesa com pessoal, custeio administrativo, programas sociais e investimentos continuará a crescer acima da receita.

Promessas de não tocar nessas rubricas terão de ser, em alguma medida, reavaliadas. Disposição para enfrentar supersalários e penduricalhos no setor público constituiria sinal positivo de que o ajuste não se limita a setores de menor poder político.

O equilíbrio das contas do Estado é condição necessária, embora não suficiente, para lidar com o principal desafio do país: a baixa produtividade do trabalho, que se expandiu apenas 0,9% ao ano entre 1995 e 2025. Eis a herança maldita de sucessivos governos.

Lula deveria começar logo a evitar uma derrocada econômica em seu quarto e, muito provavelmente, último mandato. A indicação do próximo ministro da Fazenda, a discussão do Orçamento de 2027 e a revisão das regras fiscais serão os primeiros testes (Folha)

Related Posts

  • All Post
  • Agricultura
  • Clima
  • Cooperativismo
  • Economia
  • Energia
  • Evento
  • Fruta
  • Hortaliças
  • Meio Ambiente
  • Mercado
  • Notícias
  • Opinião
  • Pecuária
  • Piscicultura
  • Sem categoria
  • Tecnologia

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Edit Template

Quer receber notícias do nosso Diário do Agro?
INSCREVA-SE

You have been successfully Subscribed! Ops! Something went wrong, please try again.

© 2024 Tempo de Safra – Diário do Agro

Hospedado e Desenvolvido por R4 Data Center