Ações de empresas do agro têm forte queda após resultado de eleições

Mais cedo, a B3 acionou o “circuit breaker”, parada de emergência acionada diante de quedas muito bruscas, e interrompeu as negociações na bolsa por 30 minutos.

As ações de empresas do setor agropecuário negociadas na B3 operam em forte queda nesta segunda-feira (26/10), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter sido confirmada no domingo (25/10).

Entre os frigoríficos, as ações de MBRF chegaram a cair mais de 15%, enquanto as da Minerva Foods recuaram acima de 24%. Já as BDRs (Brazilian Depositary Receipt) da JBS, que refletem as ações da companhia negociadas na bolsa americana, subiam pouco mais de 7%.

Entre os fatores que explicam as perdas mais acentuadas de MBRF e Minerva, na avaliação do analista da Genial Investimentos, Luca Vello, está a maior concentração da capacidade produtiva destas empresas no Brasil e, consequentemente, maior exposição ao cenário econômico local, do que a JBS.

“A JBS provavelmente foi vista no setor como uma oportunidade de fuga dessa dependência [de capacidade no Brasil] que Minerva e MBRF têm”, disse o analista. “A JBS está melhor pela capacidade de diversificar contexto macroeconômico”, continuou.

Outra razão é o nível de alavancagem de Minerva e MBRF, de acordo com Vello. “A curva de juros abriu muito, isso prejudica muito empresas alavancadas. A MBRF é bem alavancada, Minerva também, mas menos”, afirmou.

A alta do dólar no Brasil após o segundo turno das eleições também influencia positivamente as BDRs da JBS. Mesmo que as ações em dólar estejam em queda no mercado americano nesta segunda-feira, as BDRs sobem porque o dólar se converte em mais reais (moeda da BDR) hoje do que na última sexta-feira, de acordo com outra fonte do mercado.

Papéis de empresas produtoras de grãos também registravam recuos expressivos. A SLC Agrícola chegou a cair mais de 5%, passando a operar levemente no positivo posteriormente; a BrasilAgro subiu acima de 11%, 3tentos mais de 19% e a produtora de sementes Boa Safra, mais de 20%.

Companhias do setor sucroenergético, de forma semelhante, registram perdas acentuadas. As ações da São Martinho chegaram a operar em baixa de mais de 11%, da Jalles Machado mais de 21% e da Raízen, acima de 23%.

Mais cedo, a B3 acionou o “circuit breaker”, parada de emergência acionada diante de quedas muito bruscas, e interrompeu as negociações na bolsa por 30 minutos.

Exportadoras

De acordo com Vello, da Genial em meio à fuga de capital da bolsa brasileira, o único capital que deve permanecer será o direcionado às empresas exportadoras — o que inclui boa parte das companhias do agronegócio com ações na B3.

“O dólar vai para as alturas, então as empresas que exportam, na hora de converter para o câmbio médio, considerando que o custo é em real, vão ter um resultado melhor”, afirmou Vello ao Valor. “Estas empresas são as únicas, não necessariamente hoje, que são defensivas neste cenário”, continuou.

No grupo, considerando o agronegócio, estão companhias produtoras de papel e celulose, frigoríficos em geral e outras do setor que têm boa parte de sua receita proveniente do exterior.

O analista ponderou, no entanto, que muitas empresas do setor listadas na B3 também obtêm parte importante da receita em real, nas negociações com o mercado doméstico, o que reduz o efeito de potenciais ganhos maiores em real nas exportações com dólar mais forte.

“Empresas de agro não necessariamente serão uma tese defensiva”, afirmou (Globo Rural)

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