Conab prevê safra recorde em 2026/27, mas margens de lucro podem ser pressionadas

Estimativa da Conab aponta 367,1 milhões de toneladas na safra 2026/27, e maior oferta reforça a importância do controle de custos, avalia especialista da Falconi
O Brasil deve alcançar mais uma vez o recorde de grãos produzidos no ciclo 2026/27, segundo o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sobre o novo ciclo. A entidade estima uma produção de 367,1 milhões de toneladas, 1,4% acima da safra passada. 
Entre as culturas, o milho foi o que mais contribuiu para o avanço da safra. A Conab projeta 148 milhões de toneladas, um aumento de 2,4% em relação ao ciclo anterior, com a área plantada crescendo 4,9%. Parte dessa demanda vem das usinas de etanol e da produção de proteína animal, que vêm ampliando o consumo do grão. A soja também aparece com alta no levantamento.
Segundo o vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em agronegócio e indústria de consumo, Andre Paranhos, o avanço pode ser visto como um bom sinal, mas com um efeito colateral. “Quando a oferta cresce, a eficiência deixa de ser diferencial e vira pré-requisito. Quem produz mais precisa saber exatamente qual a última linha de cada saca. Sem esse número, o volume só aumenta a exposição ao risco.”
O arroz segue na direção contrária, com uma estimativa de 10,8 milhões de toneladas, o que representa queda de 2,9% em relação à safra anterior. Mesmo com a área crescendo 7,1%, chegando a 1,5 milhão de hectares, a produtividade deve ser menor que na última safra. No Rio Grande do Sul, responsável por cerca de 70% da produção nacional, a semeadura chegou a 27% da área até a primeira semana de outubro, e parte das regiões arrozeiras enfrenta atrasos no plantio.
Sobre a queda, Paranhos vai além da lavoura. “Quando a produtividade cai e a área não compensa, a saída não é apenas plantar mais. O produtor precisa abrir a conta por talhão, por insumo e por operação para ver onde o dinheiro está saindo sem retorno. Quase sempre o problema não está em uma decisão grande, e sim em várias pequenas que ninguém acompanhou. Quem mede isso todo mês encontra o desperdício antes da colheita, e não depois.”
A Conab explica que esses números são preliminares, o cálculo usa modelos estatísticos, porque os dados coletados em campo ainda são incipientes, com apoio de análise meteorológica. Como se trata de um primeiro levantamento, a instituição aponta que as estimativas ainda podem mudar ao longo da safra. Segundo o executivo da Falconi, para quem planeja a próxima temporada, o ponto de partida é revisar o lucro por cultura antes de decidir o que plantar.
“O agro brasileiro já mostrou que sabe crescer. Agora, é preciso ter claro onde será feito cada investimento, onde conter, onde acelerar e onde proteger o caixa. Crescer a qualquer custo já não basta. O que sustenta o resultado quando o ciclo aperta é consistência” conclui Paranhos.

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