Por Mauro Zafalon
- Safra deste ano foi recorde e atingiu 1,6 milhão de toneladas, com alta de 88%
- Maior oferta derruba preço, e consumidor paga 16% a menos no ano, segundo a Fipe
Há algumas décadas, ao comprar uma maçã, o consumidor provavelmente estaria levando para casa uma fruta importada. Hoje, o Brasil já produz 1,6 milhão de toneladas por safra, um volume recorde e que vem aumentando, segundo a ABPM (Associação Brasileira de Produtores de Maçã).
Antes importador, o país já coloca a sua maçã em pelo menos 93 mercados, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Desses países, pelo menos cinco são muito importantes: Índia, que comprou 18 mil toneladas neste ano, Arábia Saudita, Rússia, Portugal e Irlanda.
As exportações de maçã de janeiro a setembro —elas ocorrem com maior intensidade no primeiro semestre— somam 49 mil toneladas, 274% a mais do que as do ano passado. A produção desta safra superou em 88% a média das duas anteriores, e o recorde de produção, até então, havia sido em 2017, quando o setor obteve 1,3 milhão de toneladas.
A meta era comercializar pelo menos 100 mil toneladas no exterior, mas os conflitos geopolíticos, principalmente o do Oriente Médio, importante mercado para o Brasil, prejudicaram as vendas. As importações deste ano somam 84 mil toneladas, 41% a menos do que as de 2025, segundo a Secex.
Santa Catarina e Rio Grande do Sul são responsáveis por 90% da produção de maçã, segundo a associação do setor. Na próxima quarta-feira (21), o setor comemora o Dia Internacional da Maçã. Com a chegada da primavera, as macieiras entraram em floração e cobrem de branco e rosa as áreas das principais regiões produtoras.
A safra 2026/27 também promete ser boa, embora muita coisa ainda possa interferir no desempenho da colheita, segundo o diretor-executivo da ABPM, Moisés Lopes de Albuquerque. O inverno foi de ótima qualidade, e a florada, abundante, o que traz uma perspectiva positiva, afirma ele. A colheita das variedades Gala e Fuji deve ocorrer no começo de 2027.
O setor se movimenta de várias maneiras para elevar a produção e garantir qualidade à fruta. A Rasip Agro, uma das pioneiras nessa atividade na década de 1970, está levando 350 milhões de abelhas aos pomares para a polinização da safra 2026/27. A operação, que envolveu 27 fornecedores, vai reunir 6.400 colmeias em 1.385 hectares. Neste ano, o número de colmeias aumentou em 17% em relação ao da safra anterior.
Para Celso Zancan, diretor da Rasip Agro, a polinização é uma etapa essencial para o potencial produtivo e para a qualidade, e essas colmeias asseguram uma polinização eficiente durante o período de florada. Para Albuquerque, tecnologia de ponta, conhecimento técnico e capacidade de produzir frutos de qualidade levam o setor a esses resultados recordes.
Segundo a associação, a supersafra ampliou a disponibilidade da fruta no mercado nacional e contribuiu para a redução dos preços ao consumidor, tornando a maçã brasileira ainda mais acessível às famílias. A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) confirma essa queda. De janeiro a setembro, a maçã ficou 16% mais barata nos supermercados e feiras de São Paulo.
Diante desse avanço de produção, os exportadores buscam novos mercados para o produto brasileiro. México e Malásia estão no radar (Folha)




