Por Roberto Rodrigues
Mas pode haver diferentes visões de como consegui-la, e aí já surgem propostas divergentes, inclusive ideologicamente
Faltam duas semanas para o segundo turno das eleições mais importantes das últimas décadas no Brasil.
Marcadas por profunda polarização, terão um resultado bastante apertado para o principal posto em disputa, a Presidência da República. Os diversos setores representativos da sociedade se movimentam, agitados, para oferecer apoio ao candidato ideologicamente mais próximo das suas demandas e expectativas.
O inconveniente desta disputa entre setores é o fato de que nem sempre o interesse de uma determinada corrente coincide com o de toda a nação. E às vezes a competente liderança de um segmento, ou partido, ou ideologia, consegue convencer a maioria dos eleitores a apoiarem suas propostas, ainda que elas atendam apenas a uma minoria. Desta forma, o resultado vai só garantir privilégios para os escolhidos nas urnas.
Para que esse desvio não acontecesse, seria necessário que o grau de educação cívica da população fosse homogêneo, o que é quase impossível em qualquer país.
O ideal, portanto, está no trabalho de instituições representativas que compreendam o que é legítimo para toda a população e se empenhem em sua aceitação abrangente, o que não é nada trivial.
Evidentemente existem temas que todo mundo apoia. Segurança alimentar para todos, por exemplo. Ninguém é contra isso. Mas pode haver diferentes visões de como consegui-la, e aí já surgem propostas divergentes, inclusive ideologicamente. Não há unanimidade, e os candidatos procuram se colocar onde estaria a maior parcela de votantes.
Sendo assim, como buscar a harmonização dos sonhos, para que não restassem depois do prélio mágoas e diferenças insanáveis?
A resposta está na existência de filosofia humanista suprapartidária. E um exemplo concreto é o cooperativismo, doutrina universalmente aceita, baseada em princípios e valores cuja busca final é o bem-estar coletivo, a inclusão social integral, a igualdade de oportunidades, a solidariedade, a liberdade e a paz.
Há inclusive um princípio fundamental, segundo o qual a cooperativa – instrumento da doutrina – deve se preocupar com atender as demandas de toda a comunidade onde estiver instalada, e não apenas as dos seus cooperados. Desta forma, ela estimula o desenvolvimento equilibrado de todos.
Assim agiu a Organização das Cooperativas Brasileiras: fez chegar aos candidatos à Presidência da República um programa inclusivo na cidade e no campo, de modo a ser um agente de desenvolvimento harmonioso, como sonha todo governo efetivamente democrático.
(Roberto Rodrigues é ex-ministro da Agricultura e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas; Estadão)





