Por Pasquale Augusto
O setor de etanol ainda precisa lidar com crenças que pesam na decisão de abastecer, como a ideia de que o álcool faz mal ao motor. (imagem: iStock)
O consumo é o grande tendão de Aquiles do setor do etanol.
Quando você encosta no posto, o que determina a escolha entre gasolina e etanol? O preço na placa, a autonomia do carro, a preocupação com o meio ambiente ou aquele hábito que você já nem questiona?
Para quem abastece, a decisão pode durar poucos segundos. Para quem produz o biocombustível, ela ajuda a definir o futuro do negócio.
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Enquanto as usinas buscam produzir mais e melhor, permanece a pergunta: quem vai comprar esse combustível?
Apenas um terço dos motoristas de carros flex abastece com etanol, segundo estimativa citada por João Rosa, sócio-diretor do Pecege Consultoria e Projetos, durante a 9ª Conferência Nova Cana. O evento reuniu especialistas do setor e trouxe debates bastante qualificados sobre os desafios e as oportunidades para o biocombustível.
Ou seja, existe um público que já pode escolher o etanol, mas continua optando pela gasolina.
Conquistar esse consumidor passa por uma conta que o investidor conhece bem: o retorno precisa compensar. No posto, isso significa olhar para quanto custa rodar com cada combustível, além da conveniência e da autonomia.
Foi nesse contexto que surgiram alguns dos debates que você acompanhou aqui no Agro Times nesta semana. Carros 100% a etanol seriam um avanço ou um retrocesso? Até onde deve ir a mistura do biocombustível na gasolina? E quais caminhos podem ampliar o consumo para além dos automóveis de passeio?
Do lado da produção, as possibilidades também se multiplicam. A integração entre cana e milho abre espaço para aproveitar melhor a estrutura das usinas. Os coprodutos podem aproximar essas operações dos confinamentos. E os resíduos ganham outra perspectiva com o biometano, o chamado “pré-sal caipira”.
Para o investidor, essas discussões têm um ponto em comum: como transformar capacidade produtiva e novas oportunidades em receita, margem e geração de caixa.
O caso da Raízen também atravessa essa conversa, trazendo à tona o debate sobre endividamento, expansão e o perfil de quem compra usinas.
O setor ainda precisa lidar com crenças que pesam na decisão de abastecer, como a ideia de que o álcool faz mal ao motor. Sempre que ouço isso, penso no meu Kia Soul 2011 vermelho, batizado de Relâmpago — espero que você entenda a referência. Ele está comigo há quatro anos, não conhece outro combustível e não passou por nenhuma retífica nesse período. Meu relato não é um teste de laboratório, claro, mas o Relâmpago segue firme por aqui (Money Times)





