Doença respiratória equina: prevenção, diagnóstico precoce e manejo estratégico são fundamentais para proteger a saúde e o desempenho dos cavalos

Setor que movimenta bilhões de reais por ano reforça a importância da sanidade como um dos pilares da equideocultura

O Brasil ocupa posição de destaque no mercado global de equideocultura, impulsionado pela expressividade de seu rebanho e pela capacidade técnica desenvolvida no manejo e na reprodução desses animais. O país reúne aproximadamente 6,8 milhões de equídeos, entre cavalos, muares (mulas e burros) e asininos¹, distribuídos por todo o território nacional. Desse total, 5,8 milhões são cavalos, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)¹.

A distribuição desse rebanho acompanha a diversidade de atividades desenvolvidas com os animais no país. Minas Gerais concentra o maior efetivo de cavalos, com cerca de 788 mil animais, seguido por Pará (527 mil), Rio Grande do Sul (490 mil), Bahia (463 mil) e Mato Grosso (439 mil). Além dos cavalos, o país contabiliza aproximadamente 376,9 mil jumentos e 615,5 mil muares¹.

A equinocultura brasileira se destaca pela diversidade e qualidade genética de suas principais raças, como Mangalarga Marchador, Crioulo, Quarto de Milha, Cavalo Árabe, Puro-Sangue Inglês e Brasileiro de Hipismo¹, e por sua expressiva contribuição econômica. O Mangalarga Marchador, maior população do país, movimenta R$ 11,7 bilhões ao ano, equivalente a 31% da equideocultura nacional², enquanto a cadeia do Cavalo Crioulo gera R$ 5,36 bilhões³. Além da criação, o setor impulsiona atividades como esportes, turismo rural, reprodução, nutrição, medicina veterinária e serviços especializados, mantendo também forte relevância cultural em manifestações tradicionais e competições equestres.

Nesse cenário, a prevenção de doenças é um dos componentes importantes para preservar a saúde e o desempenho dos animais. Entre os desafios estão as enfermidades respiratórias, que podem comprometer o condicionamento e a performance dos cavalos, especialmente daqueles submetidos a treinamentos, viagens frequentes e participação em competições.

Mudanças de temperatura, transporte, concentração de animais em eventos, contato entre equinos de diferentes origens e ambientes com ventilação inadequada ou elevada concentração de poeira estão entre as situações que exigem atenção redobrada dos responsáveis pelos animais.

Segundo Chester Batista, Gerente Técnico de Equinos da Zoetis Brasil, a observação dos primeiros sinais clínicos e a adoção de um planejamento sanitário são fundamentais para reduzir riscos e evitar que alterações respiratórias comprometam a rotina dos animais. “Muitas doenças respiratórias podem começar com sinais aparentemente discretos, como secreção nasal, tosse, febre, alteração na frequência respiratória, redução do apetite ou queda de desempenho. O diagnóstico precoce permite que o médico-veterinário investigue a causa e estabeleça a conduta mais adequada, contribuindo para a recuperação mais rápida e para a preservação do bem-estar do animal”, explica.

Entre os agentes de importância para a equinocultura estão os vírus da influenza equina e os herpesvírus equinos tipos 1 e 4 (EHV-1 e EHV-4), associados principalmente às doenças respiratórias, mas que também podem estar relacionados a manifestações neurológicas e problemas reprodutivos, especialmente no caso do EHV-1.

Dentre as boas práticas preventivas estão:

  • Manter o calendário vacinal atualizado;
  • Avaliar clinicamente os animais antes de viagens e eventos;
  • Monitorar animais recém-chegados e estabelecer medidas de isolamento quando necessário;
  • Garantir boa ventilação das baias e reduzir a exposição à poeira;
  • Evitar o compartilhamento de bebedouros, cochos e equipamentos;
  • Observar diariamente alterações de comportamento ou sinais clínicos.

Como citado anteriormente, a vacinação é uma das ferramentas que podem integrar programas preventivos. “A prevenção não deve ser encarada como uma ação isolada. Vacinação, manejo, biosseguridade, observação diária e acompanhamento veterinário precisam fazer parte de uma estratégia contínua, especialmente para animais que viajam e participam de eventos. Dessa forma, é possível reduzir riscos e contribuir para preservar a saúde, o bem-estar e o desempenho dos equinos“, conclui Chester.

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