A Embrapa ampliou a agenda de cooperação científica e tecnológica com a China durante missão institucional ao país ao firmar um Memorando de Entendimento para a criação do Centro de Cooperação Brasil-China para Aplicação de Inteligência Artificial na Agricultura.
A iniciativa reúne a Embrapa, a Universidade Agrícola de Nanjing (NAU), a Academia de Ciências Agrícolas de Jiangsu (JAAS), a Sinomach Digital Technology Corporation e a Associação Internacional para Cooperação Popular (IAPC) em um programa de trabalho colaborativo com duração prevista de cinco anos. O acordo foi firmado na segunda-feira (21/9), em Nanjing, capital da província de Jiangsu, onde fica a sede da Sinomach Digital.
A parceria tem como foco o desenvolvimento e a adaptação de soluções de agricultura digital, automação, robótica e inteligência artificial, com atenção especial às necessidades da agricultura familiar. Entre as ações previstas estão pesquisas conjuntas em máquinas agrícolas inteligentes, plataformas digitais e modelos de cultivo, além do intercâmbio de pesquisadores, missões técnicas, workshops, capacitações e busca conjunta de recursos em fundos de pesquisa brasileiros, chineses e internacionais.
Para a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, a cooperação amplia as possibilidades de desenvolvimento conjunto entre os dois países. “Essa cooperação Brasil-China é muito importante para adaptação de soluções tecnológicas na área de agricultura digital, automação, robótica e inteligência artificial, visando a produção de sistemas alimentares mais sustentáveis, resilientes e inclusivos”, afirmou.
Silvia Massruhá também se reuniu com Dilma Rousseff, em Xangai, presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), mais conhecido como Banco dos Brics, em uma agenda de aproximação institucional e construção de novas oportunidades de cooperação para a agricultura brasileira. A missão da Embrapa na China, uma agenda voltada à ampliação da cooperação científica e tecnológica entre os dois países, se encerrou nesta terça-feira (22).
Tecnologia voltada à agricultura familiar
Um dos principais desdobramentos previstos do Memorando de Entendimento assinado é a implantação de áreas-piloto no Brasil com Centros de Serviços de Maquinário Agrícola Inteligente. A proposta é disponibilizar máquinas de pequeno e médio porte, sensores, internet das coisas (IoT) e inteligência artificial para apoiar o monitoramento e a gestão da produção.
A organização dos serviços deverá ocorrer de forma coletiva, com participação de associações e cooperativas da agricultura familiar.
O modelo busca ampliar o acesso a tecnologias que, individualmente, podem ter custo elevado para pequenos produtores, além de fortalecer a capacitação e a assistência técnica e extensão rural.
Segundo o acordo, também será avaliada a possibilidade de integração das unidades demonstrativas ao Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pronater), além da replicação da experiência em outros territórios de agricultura familiar.
O novo acordo integra uma agenda mais ampla cumprida pela Embrapa na China entre 15 e 22 de setembro. Liderada pela presidente Silvia Massruhá, a delegação participou da World AgriFood Innovation Conference (WAFI) 2026, em Pequim, e manteve reuniões com universidades, instituições de pesquisa e empresas chinesas. A agenda começou pela China Agricultural University (CAU) e incluiu discussões sobre agricultura digital, bioinsumos, agroecologia, compostagem e inovação para os sistemas agroalimentares.
Missão aproxima ciência brasileira e chinesa
A parceria com as instituições chinesas dá continuidade a uma aproximação que já vinha sendo construída pela Embrapa e pela Sinomach Digital. Em 2025, as duas instituições haviam firmado um memorando em Brasília, posteriormente incorporado a um memorando bilateral entre Brasil e China. Em 2024, Sinomach Digital, Universidade Agrícola da China e Universidade de Brasília também participaram da criação de um centro de ciência e tecnologia rural voltado à agricultura familiar.





