Início do período de chuvas dá a largada do agro pela próxima safra

Por Roberto Rodrigues

Esta guerra também pede alguns instrumentos: tecnologia, crédito, máquinas e implementos, insumos, seguro, combustíveis; todos caros, nem sempre acessíveis, mas fundamentais.

Choveu! Pronto, foi dada a ordem para começar o plantio de verão. Uma verdadeira guerra!

As últimas flores dos ipês amarelos ainda não caíram, a primavera nem chegou, mas, em todos os mais de 5 mil municípios brasileiros, milhões de homens e mulheres se movimentam vigorosamente para dar partida nos motores de tratores de todos os tamanhos, engatam carretas e plantadeiras, carregam milhares de toneladas de fertilizantes e de sacos de sementes e se encaminham para seu campo de batalha em uma infinidade de talhões em todo o território nacional. Se fosse possível ouvir os roncos destas máquinas juntas, o barulho seria ensurdecedor.

Guerra pressupõe morte, extermínio, destruição e dor. Mas esta é outra guerra; ela é pela vida. Pela vida de toda a humanidade.

Guerra significa combater um inimigo. Mas esta guerra não é para enfrentar nenhum inimigo. Mesmo o concorrente estrangeiro subsidiado que disputa o mercado com os brasileiros anônimos que se levantam quando o sol ainda está “pensando” em nascer para trabalhar duro também será beneficiado com alimentos mais baratos e de ótima qualidade. Não há inimigos. Há, sim, enormes dificuldades.

A maior delas é a incerteza. Será que o clima vai correr bem nestes meses todos do ciclo das plantas? Haverá calor e umidade suficiente em todos os milhões de hectares semeados neste país continente para que as sementes sejam estimuladas a iniciar o milagre da germinação? As raízes das plantinhas germinadas conseguirão mergulhar no solo para encontrar os elementos nutritivos também enterrados que permitirão o crescimento de cada mudinha nascida? E cada uma destas terá força suficiente para atravessar a camada de terra que as cobre para emergir ao sol? E será que nenhum inseto daninho ou doença irá se alimentar destas mudinhas, matando-as? Vai acontecer o temível El Niño? Quantas dúvidas…

Guerra pressupõe armas. Mas não esta. Ela pede sim instrumentos: tecnologia, crédito, máquinas e implementos, insumos (sementes, fertilizantes, defensivos, corretivos), seguro, combustíveis. Todos caros, nem sempre acessíveis, mas fundamentais.

E se tudo der certo ao longo do ciclo, resta a última grande insegurança: haverá preço que remunere toda a louca campanha? Qual a garantia disso?

O que será que justifica viver com tanta incerteza em meses inteiros de batalha ininterrupta? A resposta é tão somente a fé. E a esperança de que ninguém vai ser vencido, e todo mundo poderá se preparar com esmero para a outra guerra, no ano que vem! Que com certeza será melhor… (Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas; Estadão)

Related Posts

  • All Post
  • Agricultura
  • Clima
  • Cooperativismo
  • Economia
  • Energia
  • Evento
  • Fruta
  • Hortaliças
  • Meio Ambiente
  • Mercado
  • Notícias
  • Opinião
  • Pecuária
  • Piscicultura
  • Sem categoria
  • Tecnologia

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Edit Template

Quer receber notícias do nosso Diário do Agro?
INSCREVA-SE

You have been successfully Subscribed! Ops! Something went wrong, please try again.

© 2024 Tempo de Safra – Diário do Agro

Hospedado e Desenvolvido por R4 Data Center