Capim Mavuno se destaca como aliado técnico em estratégias como fenação, silagem e diferimento para garantir alimento ao rebanho no período de escassez hídrica
A maior irregularidade das chuvas e a crescente pressão por eficiência produtiva vêm levando pecuaristas a adotar estratégias mais planejadas para garantir a oferta de alimento ao rebanho ao longo do ano. Nesse cenário, o planejamento forrageiro assume papel central no manejo, especialmente quando associado ao uso de forrageiras de alto potencial produtivo e maior estabilidade ao longo do ciclo.
Entre as principais alternativas para enfrentar a escassez de forragem na seca, destacam-se a fenação, que permite conservar o excedente produzido nas águas com baixa umidade; a silagem, voltada ao armazenamento de volumoso fermentado; e o diferimento, baseado na vedação temporária da pastagem. Cada uma dessas estratégias atende a uma lógica de manejo e precisa ser ajustada conforme as condições climáticas, a estrutura da propriedade, a categoria animal e o objetivo produtivo.
“Hoje, não dá mais para depender apenas do crescimento natural do pasto. O produtor precisa se antecipar ao período seco e planejar a formação de reservas, porque isso garante maior estabilidade no desempenho animal e reduz custos na fase mais crítica”, afirma Tiago Penha Pontes, engenheiro agrônomo e responsável técnico da Wolf Sementes.
A fenação tem se mostrado uma alternativa eficiente para transformar o excedente de forragem produzido no período das águas em alimento conservado para uso posterior. Estudos conduzidos na Universidade de Brasília (UnB – Fonseca, 2021) com a braquiária híbrida Mavuno indicam alta produção de matéria seca e manutenção do valor nutritivo dentro de uma faixa mais ampla de manejo, mesmo em idades de corte mais avançadas. Na prática, esse comportamento amplia a janela operacional e oferece maior segurança ao produtor, reduzindo riscos associados à variabilidade climática e à logística de colheita.
“Nem sempre é possível cortar exatamente no dia ideal. Quando a forrageira mantém bom desempenho dentro de uma faixa de manejo mais ampla, o produtor ganha margem para organizar a operação e reduzir o risco de perdas”, destaca Pontes.
Na produção de silagem, a cultivar também se mostra apta a compor estratégias eficientes de conservação de volumoso. Avaliações realizadas na Universidade Federal Rural da Amazônia, em parceria com o Centro Tecnológico COMIGO (UFRA – Silva, 2022), indicaram que a frequência de corte influencia diretamente o equilíbrio entre volume produzido e valor nutritivo, permitindo ajustes conforme os objetivos de cada sistema produtivo.
Essa possibilidade de ajuste é relevante porque diferentes propriedades lidam com realidades distintas ao longo do ano. Em alguns casos, a prioridade é ampliar a oferta de massa; em outros, preservar melhor o valor nutritivo do material conservado. “O importante é trabalhar com uma forrageira que permita esse ajuste com mais previsibilidade, porque isso dá ao produtor mais controle sobre o resultado”, explica o agrônomo.
Já no diferimento, ou vedação da pastagem, os resultados da Universidade Federal de Uberlândia (UFU – Carvalho, 2023) apontam o Mavuno entre os materiais com elevado potencial de produção de forragem, com maior taxa de crescimento e renovação de folhas. Essa característica favorece a formação de massa para o período de escassez, contribuindo para maior segurança alimentar do rebanho.
No entanto, o manejo do diferimento exige atenção, pois o aumento de volume pode vir acompanhado de alterações na estrutura do pasto. O ajuste adequado do período de vedação é fundamental para evitar excesso de material senescente e garantir bom aproveitamento pelos animais.
“O diferimento é uma ferramenta eficiente quando bem planejada. Com o manejo correto, o produtor consegue formar reserva de pasto para o período mais crítico e manter a produtividade do sistema”, afirma.
Diante de um cenário climático mais variável, o uso de reservas forrageiras aliado a forrageiras de maior desempenho tende a ganhar ainda mais espaço nas decisões dentro da porteira. “Não se trata apenas de produzir pasto, mas de trabalhar com ferramentas que permitam maior previsibilidade e eficiência ao longo do ano. O Mavuno entra exatamente nesse contexto, como uma forrageira que contribui para a construção de sistemas mais estáveis e produtivos”, conclui Pontes.
Referências:
¹ FONSECA, Ana Caroline Pereira da. Produção e composição químico-bromatológica de feno de capim Mavuno (Brachiaria sp. – Híbrido Cv. Mixe DRWN 12). 2021. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Agronomia) – Universidade de Brasília, Brasília, DF.
² SILVA, Thiago Carvalho da; NASCIMENTO, Hemython Luis Bandeira do; SILVA, Suianne Lorena da Silva e; NAZARÉ, João Victor Pinheiro de; RÊGO, Aníbal Coutinho do. Potencial produtivo de capins tropicais para produção de silagem no bioma Cerrado. 2022. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/366168155_Potencial_produtivo_de_capins_tropicais_para_producao_de_silagem_no_bioma_cerrado
³ CARVALHO, Bruno Humberto Rezende. Dinâmica do perfilhamento, crescimento e senescência dos capins Marandu, Mulato II, Mavuno e Ipyporã sob diferimento. 2023. Tese (Doutorado em Ciências Veterinárias) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2023. DOI: https://doi.org/10.14393/ufu.te.2023.446





