- Para analista da Safras & Mercado, aumentos dos próximos meses serão mais acentuados
- Produção mundial deverá recuar para 175 milhões de toneladas na safra 2026/27
Isso é apenas o começo de uma alta mais intensa que virá nos próximos meses por conta dos efeitos do El Niño, segundo o analista Maurício Muruci, da Safras & Mercado. Ele destaca que a evolução de preços no Brasil, o maior produtor mundial, foi bem mais acelerada no período, atingindo 20% para o açúcar cristal. É o aumento que as usinas repassaram para as indústrias no período e que ainda vai chegar nos consumidores.
O El Niño no Brasil está provocando excesso de chuva, o que reduz o ritmo da colheita, e um volume de precipitações abaixo da média na Ásia, afetando a produção. Na União Europeia, as altas temperaturas fizeram o setor reduzir as estimativas de produção.
Muruci diz que o bloco europeu deve produzir 3 milhões de toneladas a menos do que o previsto para esta safra, mesmo volume de retração no Brasil. A Índia deverá ter uma safra 3,8 milhões abaixo do esperado; a Tailândia, outra importante produtora, 2 milhões a menos, e a China, 1,5 milhão a menos.
No Brasil, em função do El Niño, a safra deverá terminar dois meses antes do normal, e a próxima só começará dois meses depois. Há uma antecipação das chuvas agora e uma postergação no próximo ano. “Vai ser uma entressafra mais longa e com uma oferta ainda menor de açúcar do que a gente já vem enfrentando agora”, afirma Muruci.
As notícias sobre o El Niño não são boas, segundo o analista da Safras. Relatório desta quinta-feira (10) do NOAA, órgão do Departamento de Climatologia dos Estados Unidos, indica que o fenômeno, que começou em maio deste ano, vai até maio do próximo ano.
A intensidade dele no ápice, provavelmente em outubro, poderá superar 3,5°C. Se confirmada essa expectativa, a temperatura superficial do Pacífico estará 3,5°C acima da média histórica de 50 anos. Quando a água fica 1°C acima da média histórica, o El Niño é considerado fraco; 1,5°C, moderado; 2°C, forte. E o que temos agora é uma variação entre 3,5°C a 4°C, diz Muruci.
Segundo o analista, o mercado já está levando em consideração essas taxas de temperatura. Os preços do açúcar em Nova York, Bolsa que determina os valores do produto pelo mundo, subiram 30% do início ao final de agosto, atingindo US$ 0,18 por libra-peso. Em fevereiro do próximo ano, deverão estar em US$ 0,22 ou US$ 0,23, segundo estimativas da Safras.
O mercado se antecipa a uma esperada queda de produção. A safra 2026/27, que começa em outubro deste ano e vai até setembro do próximo, será de 175 milhões de toneladas, abaixo dos 189 milhões atuais. A demanda internacional será de 183 milhões de toneladas.
Além do El Niño, o açúcar sofre o efeito preço do petróleo, que voltou a superar os US$ 100 por barril.
“Quando o petróleo está em alta, ele deixa os investidores internacionais mais otimistas com os ganhos em commodities e eles entram em várias delas, inclusive no açúcar”, diz Muruci. Além disso, o petróleo elevado dá margens para o aumento do consumo do etanol, concorrente do açúcar na utilização da cana-de-açúcar (Folha)





