- Vendas externas de agosto ficaram em 225 mil toneladas, abaixo também do recorde de 317 mil toneladas de junho
- Apesar dessa queda, exportação de proteína animal em geral bate recorde de US$ 23 bi
As exportações brasileiras de carne bovina recuaram para 225 mil toneladas em agosto, 23% a menos do que as do mesmo mês do ano passado. Em comparação com o recorde de 317 mil toneladas registrado em junho deste ano, quando o mercado estava aquecido devido às antecipações de compras, a retração é de 29%.
As antecipações ocorreram porque a cota chinesa para a carne bovina brasileira sem a taxa extra de 55% já estava sendo completada, e a União Europeia anunciava restrições às importações de proteína animal brasileira a partir de setembro.
A China é a responsável por essa desaceleração de agosto. Foram enviadas apenas 16,1 mil toneladas dessa proteína para o país asiático no mês passado, volume bem inferior ao recorde de 158 mil de junho.
Europeus e americanos compensaram, em parte, a queda das importações da China. Livres das pesadas taxas do ano passado, os brasileiros colocaram 35 mil toneladas de carne bovina no mercado americano em agosto, acima das 26 mil de junho.
Já os europeus, com a proximidade do embargo às compras do produto brasileiro, que entrou em vigor neste mês, elevaram as importações para 23,3 mil toneladas no mês passado, bem acima das 12,5 mil de julho, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).
Apesar da perda de ritmo das exportações de carne bovina, o setor de proteínas animais continua aquecido neste ano. Incluindo as carnes bovina, de frango e suína, o país já colocou 7 milhões de toneladas no mercado externo de janeiro a agosto, 11% a mais do que em igual período do ano passado. Em valores, a soma sobe para o recorde de US$ 23 bilhões, 20% a mais do que no mesmo período do ano anterior.
A China importou 1,3 milhão de toneladas de carne do Brasil até agosto, o mesmo volume de 2025. Houve redução nas compras das carnes bovina e suína, mas aumento nas de frango. Essa alta ocorre porque os chineses passaram boa parte do ano passado sem adquirir carne brasileira de frango, devido à primeira ocorrência de gripe aviária no país.
Com a volta da China e da União Europeia, as exportações brasileiras de carne de frango já estão próximas de 4 milhões de toneladas neste ano e rendem US$ 7,6 bilhões. Ásia e África também elevaram as compras.
O Brasil aumentou também as exportações de carne suína, que já atingem 1 milhão de toneladas, com receitas de US$ 2,43 bilhões. Filipinas, com 184 mil, e Japão, com 127 mil, lideram as compras desses produtos brasileiros. A China, que chegou a ser a maior importadora, adquirindo 391 mil toneladas de janeiro a agosto de 2021, reduziu as compras para 89 mil toneladas neste ano.
Os chineses, após a ocorrência da peste suína, refizeram toda a estrutura de produção de carne suína, estão com uma oferta superior ao consumo e reduzem as importações. Mesmo com a queda de compras da China, os brasileiros ampliaram as vendas para o mercado asiático, que adquiriu 680 mil toneladas até agosto, 10% a mais do que em igual período de 2025.
O Brasil, que vem com um ritmo acelerado de produção e de exportação de proteínas nos anos recentes, vai encontrar um cenário bem diferente nestes últimos meses do ano. As exportações de carne bovina para a China agora estão com uma taxa de 67%, e a União Europeia também impôs barreiras às proteínas brasileiras a partir deste mês. No caso da China, o Brasil volta a ter nova cota sem os 55% a partir de janeiro. No da União Europeia, o período de interrupção das compras será mais longo (Folha)
China: Exportações de carne bovina caíram a menor nível desde 2021
Desempenho já era esperado por conta do esgotamento precoce da cota chinesa.
As exportações brasileiras de carne bovina à China somaram 16,080 mil toneladas em agosto, volume quase 90% inferior às 158,06 mil toneladas enviadas ao país em igual mês do ano passado, de acordo com relatório da Safras Consultoria, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em julho, as exportações já tinham sido 47,8% menores do que no mesmo mês de 2025, com 82,7 mil toneladas.
O volume de agosto representou o pior desempenho das exportações brasileiras do produto aos chineses desde dezembro de 2021, quando o Brasil estava impedido de vender carne bovina ao país em razão da suspeita de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EBB), mais conhecida como “doença da vaca louca”, conforme a Safras.
“Esse desempenho já era esperado, pelos embarques muito aquém do habitual, por conta do esgotamento precoce da cota disponibilizada pela China”, disse a consultoria em relatório. “O Brasil segue apostando na diversificação para conseguir evoluir nos embarques, mas substituir a China tem se mostrado uma tarefa complexa.”
Pelos cálculos da consultoria, o Brasil já extrapolou o volume de 1,106 milhão de toneladas que a China estabeleceu para o país exportar sem aplicação de tarifa adicional de 55%. Foram 1,205 milhão de toneladas, considerando as cerca de 176,4 mil embarcadas em novembro e pouco mais de 149,5 mil enviadas aos chineses em dezembro, que chegaram aos portos da China em 2027 e, por isso, foram contabilizadas na cota de 2026.
Já pelos dados oficiais chineses, que contabilizam os volumes que desembarcaram no país, o Brasil utilizou 91,53% de sua cota, de acordo com a Safras. A Austrália também utilizou a totalidade do volume sem tarifa extra, ou 101,61%; a Argentina usou 52,4%; Uruguai, 28,05%; Nova Zelândia, 36,44%; e Estados Unidos, 0,6% de uma cota de 164 mil toneladas (Globo Rural)
Exportações de carne bovina para a China despencam 89,8% em agosto
Cota chinesa esgotada reduz embarques a 16 mil toneladas, menor volume desde dezembro de 2021.
As exportações brasileiras de carne bovina in natura para a China despencaram em agosto e registraram o pior resultado desde dezembro de 2021. O Brasil embarcou apenas 16 mil toneladas para o mercado chinês no mês, queda de 89,83% em relação às 158 mil toneladas exportadas em agosto de 2025.
Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, o volume exportado em agosto foi excepcionalmente baixo.“16 mil toneladas de carnes exportadas em agosto pra China, pior desempenho desde dezembro de 2021.”
O analista destaca que o resultado representa uma forte desaceleração dos embarques brasileiros para o principal destino da carne bovina do país.“Fazia muito tempo que eu não via um desempenho assim tão ruim assim””, comentou.
A retração ocorre após o Brasil ultrapassar a cota tarifária estabelecida pela China para as importações de carne bovina. Com o limite atingido, o volume excedente fica sujeito à tarifa integral de importação, reduzindo a competitividade do produto brasileiro no mercado chinês.
Segundo dados do Secex (Secretária do Comércio Exterior), compilados pela Safras & Mercado, o Brasil exportou 1,205 milhão de toneladas de carne bovina para a China entre janeiro e agosto de 2026. O volume equivale a 108,99% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas.
O ritmo de embarques acelerou principalmente no segundo trimestre deste ano. O pico dos embarques foi registrado em maio, o Brasil exportou 154,8 mil toneladas para a China, alta de 39,42% em relação ao mesmo mês de 2025. Em junho, foram 158,3 mil toneladas, avanço de 17,81% na comparação anual.
Depois disso, o fluxo começou a perder força e em julho, os embarques recuaram para 82,7 mil toneladas, queda de 47,78% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em agosto, o volume desabou para 16,08 mil toneladas.
O cenário também aumenta a pressão sobre os frigoríficos brasileiros, que precisam buscar destinos alternativos para parte da produção. A China concentra uma parcela relevante das compras externas de carne bovina do Brasil, e substituir rapidamente esse volume por outros mercados não é simples.
Enquanto o Brasil já ultrapassou sua cota anual, outros fornecedores ainda possuem espaço relevante para ampliar as vendas ao mercado chinês. Até julho, a Argentina havia utilizado 52,40% de sua cota de 511 mil toneladas, enquanto o Uruguai havia utilizado apenas 28,05% de um limite de 324 mil toneladas.
A Nova Zelândia também tinha utilizado 36,44% de sua cota de 206 mil toneladas. Os Estados Unidos, por sua vez, haviam utilizado apenas 0,60% de um limite de 164 mil toneladas.
Mesmo diante da forte redução das exportações para a China, o analista aponta que a arroba do boi gordo permanece sustentada no mercado físico brasileiro. Um dos principais fatores de suporte está na menor disponibilidade de animais prontos para o abate no segundo semestre (CNN)




