A agenda estratégica da ABAG e o distanciamento de Lula ao agro brasileiro

Na semana passada a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) apresentou aos candidatos à Presidência da República a Agenda Estratégica da Agroindústria, um documento construído em conjunto com representantes do setor produtivo e que estabelece os principais pilares para o fortalecimento do agronegócio brasileiro nos próximos anos.

A iniciativa da entidade merece reconhecimento, pois coloca no centro do debate temas fundamentais para o futuro do setor. Entre os pilares estratégicos apresentados estão a sustentabilidade e o clima, a competitividade e a regulação, a infraestrutura e a logística, a inovação e a tecnologia, o financiamento e os seguros, a comunicação e a reputação, a integração da cadeia produtiva, a formação e a inclusão, além da geopolítica.

Ao analisar cada um desses pilares, é impossível não perceber a grande distância entre aquilo que o setor produtivo defende e as políticas implementadas pelo governo federal desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na nossa avaliação, o agronegócio ficou fora da estratégia econômica do atual governo. O setor, que sempre foi um dos principais responsáveis pelo crescimento da economia brasileira, passou a enfrentar um cenário marcado pela falta de previsibilidade, pelo aumento dos custos de produção, pelo encarecimento do crédito rural e pela redução da capacidade de investimento dos produtores.

O pilar do financiamento talvez seja o que melhor representa a realidade atual do campo. As elevadas taxas de juros dificultaram o acesso ao crédito, comprometeram novos investimentos e aumentaram o endividamento dos produtores rurais. Muitos agricultores e pecuaristas passaram a enfrentar dificuldades para manter suas atividades, resultado da combinação entre eventos climáticos extremos, aumento dos custos de produção e redução da rentabilidade.

Nesse contexto, o seguro rural assume um papel ainda mais importante. No entanto, é necessário discutir um novo modelo para o setor. O seguro não pode ser apenas uma ferramenta de compensação financeira pela perda da renda. Ele deve ser um instrumento capaz de garantir a continuidade da atividade produtiva, permitindo que o produtor tenha condições de se reerguer e permanecer no campo.

Além disso, o acesso aos recursos do seguro precisa ser mais rápido e menos burocrático. Os eventos climáticos extremos deixaram de ser situações isoladas e passaram a fazer parte da realidade do agronegócio brasileiro. O produtor não pode esperar meses para receber uma indenização enquanto precisa lidar com a perda da produção, com os compromissos financeiros e com a preparação da próxima safra.

O que aconteceu recentemente em diversas cidades da nossa região demonstra essa realidade. Fortes tempestades atingiram áreas importantes do interior paulista, provocando prejuízos em propriedades rurais e reforçando a necessidade de políticas públicas mais eficientes para a proteção da atividade agrícola.

Outro ponto que merece atenção é a infraestrutura. O Brasil continua enfrentando problemas históricos relacionados às rodovias, às ferrovias, aos portos e ao armazenamento da produção. A falta de investimentos estruturantes reduz a competitividade do agronegócio brasileiro e aumenta os custos logísticos.

A inovação e a tecnologia também exigem atenção permanente. O Brasil possui um dos setores agropecuários mais modernos do mundo, mas a continuidade desse desenvolvimento depende de investimentos em pesquisa, assistência técnica, capacitação e transferência de tecnologia.

Quando a ABAG destaca a geopolítica como um dos pilares estratégicos, reconhece que o agronegócio brasileiro está diretamente ligado às relações internacionais e à necessidade de ampliar mercados, fortalecer acordos comerciais e consolidar a imagem do Brasil como um dos principais fornecedores mundiais de alimentos.

Não existe crescimento sustentável sem planejamento. O agronegócio não pode ser tratado apenas como um setor responsável pela geração de divisas. Ele precisa ocupar uma posição estratégica dentro das políticas públicas nacionais.

A Agenda Estratégica da ABAG não representa apenas um conjunto de propostas. Ela é um alerta para o Brasil. O país precisa construir políticas de Estado capazes de garantir segurança jurídica, crédito acessível, infraestrutura adequada, proteção ao produtor, investimentos em tecnologia e um seguro rural eficiente.

Defender o agronegócio é defender a produção, o emprego, a segurança alimentar e o desenvolvimento econômico do Brasil. (

Sobre o autor:

João Henrique de Souza Freitas, Engenheiro Agrônomo, produtor rural, secretário municipal de Agricultura de Araraquara e vice-presidente do Sindicato Rural Patronal de Araraquara;

Related Posts

  • All Post
  • Agricultura
  • Clima
  • Cooperativismo
  • Economia
  • Energia
  • Evento
  • Fruta
  • Hortaliças
  • Meio Ambiente
  • Mercado
  • Notícias
  • Opinião
  • Pecuária
  • Piscicultura
  • Sem categoria
  • Tecnologia

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Edit Template

Quer receber notícias do nosso Diário do Agro?
INSCREVA-SE

You have been successfully Subscribed! Ops! Something went wrong, please try again.

© 2024 Tempo de Safra – Diário do Agro

Hospedado e Desenvolvido por R4 Data Center