Gestora analisa R$ 1,5 bi de reestruturação para produtores de soja

  • 051 Capital tem R$ 5,5 bilhões sob sua administração e estima que agosto é mês crítico para o plantio
  • Constatação é que produtores com faturamento de até R$ 200 milhões estão com pouca liquidez

A gestora de crédito estruturado 051 Capital analisa a reestruturação de R$ 1,5 bilhão em dívidas de produtores de soja. Isso significa remodelar a questão financeira, elaborar planos de recuperação judicial (em ascensão no agronegócio) e de negociação com credores. A gestora afirma que a meta é fazer com que empresários do setor reorganizem suas operações antes da insolvência em momento de redução de crédito bancário para o segmento rural.

A 051 Capital tem R$ 5,5 bilhões sob sua administração, focada em ativos alternativos e ilíquidos, com atuação em situações especiais e em crédito estruturado.

A constatação da gestora é que produtores com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 200 milhões estão com pouca liquidez para despesas correntes. A compra de insumos para o plantio, que começa em outubro, depende do crédito garantido até o final de agosto, o que torna este mês um período crítico para o setor. O risco é de perda da janela de plantio.

A atuação da empresa está concentrada na soja da região do Matopiba, considerada a principal fronteira agrícola do país (nome derivado das primeiras letras de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), em razão da liquidez e do valor das terras como garantias.

O número de pedidos de recuperação judicial no agronegócio saiu de 193 em 2021 para 1.990 em 2025, segundo a Serasa Experian, alta de 931% no período e de 56,4% sobre 2024.

Os dez maiores processos do setor somavam R$ 15,7 bilhões em passivos até junho de 2025. A AgroGalaxy pediu recuperação judicial com dívida de R$ 4,67 bilhões. Em 2025, os produtores pessoa jurídica registraram alta de 84,1% nos pedidos frente a 2024.

A inadimplência do crédito rural chegou a 7,3% em janeiro de 2026, maior índice da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011. No crédito rural livre, sem subsídio, o índice passou de 4,3% para 13,5% em doze meses (Folha)

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