- Além da queda na safra mundial, os conflitos geopolíticos interferem nos preços
- Brasil produzirá 6 milhões de toneladas e importará 6,9 milhões, segundo Conab
O Brasil terá de recorrer ao mercado externo de trigo em um momento de aceleração dos preços internacionais. Queda na produção mundial, problemas de escoamento no mar Negro e retorno da guerra entre Irã e Estados Unidos dificultam importações e elevam custos.
As negociações na Bolsa de Chicago indicam US$ 6,78 por bushel (27,2 kg) para o contrato de setembro e US$ 7,19 para o de maio de 2027. As cotações internas de trigo vêm aumentando, e a tonelada do cereal está em R$ 1.400 no Sul, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
O analista Vlamir Brandalizze acredita que, com esses gargalos de oferta no mercado internacional, o custo das importações poderá chegar a R$ 1.800 por tonelada para os brasileiros no próximo ano.
Na avaliação dele é uma confluência perigosa, uma vez que as importações brasileiras devem atingir até 8 milhões de toneladas. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) prevê 6,9 milhões.
A produção mundial de trigo, que foi de 844 milhões de toneladas na safra 2025/26, cai para 820 milhões nesta. Os sete principais fornecedores do mercado internacional obterão 367 milhões de toneladas, 12% a menos do que na safra anterior.
Estados Unidos, Austrália, Canadá, Argentina e União Europeia terão as principais retrações na produção interna do cereal. Rússia e Ucrânia, além de produzir menos, estão com dificuldades para exportar, devido à intensidade de guerra nas áreas de escoamento do cereal.
A safra da primavera dos Estados Unidos, um dos grandes vendedores mundiais, está com qualidade boa e excelente em apenas 53% da área, e a de inverno mostrou uma qualidade ruim do grão.
Custos elevados, clima e riscos maiores na cultura do trigo fizeram com que o produtor do Sul, principal região produtora do país, pisasse no freio no plantio.
A área nacional recuou para 2 milhões de hectares no país, com retração de 17%, em relação à anterior, segundo dados da Conab. A produção cai para 6 milhões de toneladas, 24% a menos do que na safra anterior, e as importações estão previstas em 6,9 milhões, as maiores desde 2013.
Ganhando preço O arroz acumula alta de 7% neste mês, segundo acompanhamento de preços do Cepea. A saca do produto é negociada, em média, a R$ 64. As exportações, que chegam ao recorde 1,2 milhão de toneladas, desde o início do ano, ajudam a sustentar os valores de negociações.
Perdendo preço Já o feijão, com a chegada da terceira safra, irrigada e com produto de melhor qualidade, tem queda. A saca do produto de melhor qualidade, que estava em R$ 500, recua para R$ 330, segundo Brandalizze.
Synkka no mercado Nesta quinta-feira (23), a empresa entra na fase comercial para a safra 2026/27, atuando nos setores de tecnologia, nutrição e fisiologia de plantas. As soluções contemplam tratamento de sementes, fertilização foliar, tecnologias para adaptação climática, manejo de solo e adjuvantes com compatibilidade com bioinsumos. O portfólio da empresa reúne 11 soluções distribuídas nessas áreas (Folha)





