Esmagamento de soja ganha espaço como estratégia de valor na indústria

Demanda por farelo de soja e biocombustíveis permite agregar valor aos produtos derivados do processamento da oleaginosa, contribuindo para a industrialização no país

O esmagamentodesoja tem deixado de ser visto apenas como uma etapa operacional para assumir papel central na competitividade da indústria global de grãos. No Brasil, a demanda por farelo de soja, tanto para exportação quanto para atender o mercado interno de proteína animal, aliada ao potencial de crescimento do mercado de biocombustíveis, têm permitido à indústria gerar valor aos subprodutos do processamento da oleaginosa. A avaliação é de Jayson Lee, Vice-presidente deesmagamentode grãos e análise de riscos da ADM na América Latina, que destaca a posição do país como ativo estratégico.  

“O esmagamento transforma o grão em farelo e óleo, permitindo ampliar a captura de valor. Não é só uma decisão operacional, é uma escolha estratégica, um diferencial que gera dinamismo à economia brasileira, direta e indiretamente, pela diversificação de produtos. A possibilidade de comercialização dos subprodutos, com diferentes canais de venda, promove a competitividade e permite diluir riscos operacionais das empresas que atuam no setor”, afirma Lee. 

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o esmagamentodesojadeve atingir um recorde histórico em 2026 no Brasil, com projeção de 61,5 milhões de toneladas. O aquecimento da atividade industrial está relacionado à oferta de produtos de maior valor agregado na cadeia agrícola e à alta demanda interna por farelo e óleo, sendo que a entidade estima a produção de farelo desoja em 47,4 milhões de toneladas (+0,9% em relação a janeiro) e a de óleo desoja em 12,3 milhões de toneladas (+0,8%). 

O Brasil é hoje, ao lado dos EUA, um dos principais produtores desoja do mundo, mas a maior parte da produção é exportada, embora o processamento siga uma tendência de atender a demanda do mercado interno por produtos de maior valor agregado. As safras recordes dos últimos anos e as oportunidades no mercado doméstico, com forte crescimento nas indústrias de biodiesel e ração, impulsionadas pelo crescimento da aquicultura e aumento da produção de aves e suínos, têm permitido à ADM operar suas fábricas na capacidade máxima no país.  

Segundo o executivo, a definição sobre onde processar, na origem ou no destino, passa por uma equação econômica complexa, que considera a resiliência e a eficiência operacional, sendo que o Brasil ocupa uma posição vantajosa nesse contexto, com energia renovável a um custo mais baixo, dimensões continentais e uma agricultura cada vez mais sustentável. “Depende de fatores como custo de energia, logística, ambiente regulatório e, principalmente, da margem.  O país é extremamente relevante para o agronegócio e muito heterogêneo. São diferentes dinâmicas regionais, perfis de consumo e tipos de clientes. Não existe uma única forma de operar aqui. É preciso entender o mercado de forma granular”, afirma. 

Em um setor de margens pressionadas, como o de commodities agrícolas, o executivo destaca que o diferencial competitivo está menos no preço e mais na execução. “O que realmente diferencia é o controle de custos, a eficiência operacional e a alta utilização dos ativos industriais”, destaca Lee. “A margem está na operação. Manter a fábrica rodando de forma contínua, com bom escoamento e aproveitamento da estrutura, é fundamental. Quando temos subprodutos nessa conta, os horizontes se expandem”, ressalta.  

O país é hoje um dos líderes mundiais em biodiesel, tendo em vista que 70% da matéria-prima é composta por óleo desoja. O crescimento consistente diante dos mandatos de mistura obrigatória junto à demanda pela transição energética global tem ampliado as oportunidades no segmento, enquanto o esmagamento para a produção de biocombustíveis aumenta também a oferta de farelo, promovendo uma integração de subprodutos. 

“Temos milhares de clientes de diferentes portes no Brasil, inclusive em segmentos como farelo, algo que nos diferencia de mercados do Hemisfério Norte e reduz a dependência de poucos compradores maiores, diluindo riscos. Essa diversificação é importante e torna o país muito relevante em nossas operações”. Segundo Lee, a estratégia está ancorada na geração sustentável de valor. “O foco é investir onde conseguimos operar com eficiência e garantir rentabilidade consistente no longo prazo, estamos olhando sempre de forma ampla para o mercado”, conclui. 

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