O CEO da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato, enxerga uma verdadeira “revolução do manejo” em curso no agronegócio brasileiro.
Segundo o executivo, a companhia vem trabalhando intensamente na aplicação localizada de defensivos agrícolas, estratégia que já trouxe ganhos relevantes de eficiência.
A aplicação de herbicidas ocorre de duas formas. A primeira utiliza um sistema de luz infravermelha capaz de identificar plantas daninhas abaixo da superfície visível do terreno. Nesse modelo, o bico pulverizador é acionado apenas nos pontos onde há infestação.
A segunda tecnologia é o chamado “See and Spray”, um sistema de pulverização seletiva de precisão que combina câmeras e inteligência artificial para identificar plantas daninhas em tempo real, aplicando herbicidas apenas onde necessário.
“Hoje temos o chamado Manejo Integrado de Pragas (MIP). Um técnico vai ao campo, faz o levantamento, colhe amostra de plantas e gera um mapa de presença de pragas, assim como um mapa de aplicação. A partir daí, esse mapa é enviado ao pulverizador, que realiza a aplicação localizada dos inseticidas. Só no ano passado, economizamos R$ 58 milhões com essa aplicação localizada”, explicou ao Money Times.
Já a incidência de doenças — outro desafio recorrente nas lavouras — tem sido tratada por meio de modelos preditivos baseados em inteligência artificial (IA). Com isso, a tendência é que as aplicações deixem de seguir padrões fixos e passem a ocorrer de forma mais precisa e sob demanda.
“Se houver previsão de surgimento de doenças, você aplica. Se não houver, você não aplica. A agricultura digital, que continua evoluindo, tem sido uma ferramenta fabulosa para maximizar a eficiência no uso dos insumos. Esse conjunto de ferramentas nos proporciona uma verdadeira revolução do manejo, gerando aumento de produtividade e oferta, além de maximizar o uso eficiente dos recursos naturais, de forma cada vez mais sustentável”, afirmou.
Na avaliação de Pavinato, o produtor rural que não se preparar para investir nessas novas tecnologias tende a perder competitividade, inclusive em propriedades menores.
Os investimentos da SLC Agrícola em irrigação
Outro foco permanente da companhia é a maximização da eficiência operacional. Segundo Pavinato, a competitividade no agronegócio passa diretamente pelo menor custo unitário de produção.
A SLC busca manter produtividade acima da média nacional. No caso da soja, por exemplo, a meta da companhia é operar cerca de 10% acima da média brasileira.
“O nosso investimento em irrigação na Bahia visa permitir duas safras na mesma área e consolidar um teto de produtividade muito mais elevado, apesar dos veranicos característicos da região”, disse.
Com esse objetivo, a SLC anunciou, em novembro do ano passado, uma parceria com Fundos de Investimento em Participações (FIPs) administrados pelo BTG Pactual Serviços Financeiros. A iniciativa prevê a aquisição e o arrendamento de terras agrícolas, além de investimentos em sistemas de irrigação na Bahia.
A operação contempla a criação de sociedades de propósito específico (SPEs), com participação de 50,01% da SLC Agrícola e 49,99% dos FIPs.
A expectativa da companhia é contar com 13 mil hectares irrigados na Fazenda Piratini já em agosto deste ano. Entre 2028 e 2030, a SLC também projeta implementar o mesmo modelo na Fazenda Paladino (Money Times, 30/5/26)
SLC Agrícola aposta em ‘gramínea premium’ no Cerrado, que dispara em 2026
A SLC Agrícola escolheu o trigo como um dos cultivos da companhia em áreas irrigadas do Cerrado, principalmente em Goiás e, mais recentemente, na Bahia. A região se consolida cada vez mais como uma área com alto potencial para o crescimento da cultura no Brasil.
Em 2026, os futuros da commodity já avançaram mais de 33% (até 13 de maio), saindo de US$ 5,07 para US$ 6,74 por bushel, em meio a um cenário de quebra prevista para a safra 2026/2027 dos EUA. Por lá, segundo o o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a safra no período deve ficar em 42,5 milhões de toneladas, bem abaixo das 54 milhões de toneladas do ciclo 2025/2026.
“É uma cultura que produz muito bem no Cerrado, em torno de 100 a 120 sacas por hectare. O trigo é rentável e encaixa muito bem na rotação de culturas. Soja e milho são culturas que dão muita doença quando você planta, e é sempre bom, na parte agronômica, colocar uma gramínea entre o plantio de uma leguminosa ou outro espécie. Como gramínea, posso escolher entre trigo e milho para reduzir doenças”, disse o CEO Aurélio Pavinato, ao Money Minds, programa de entrevistas do Money Times.
Outro ponto enfatizado é a qualidade do trigo produzido no Cerrado. Pavinato explica que o trigo da região possui alto pH (Peso Hectolitro), termo utilizado para designar sua qualidade e aptidão para panificação. Trata-se de um trigo premium, adequado para produção de farinha e pães.
“A lógica do trigo que é direcionado para a produção de etanol lá no Rio Grande do Sul é o trigo que perde qualidade pelas chuvas. Não é um trigo bom para panificação”, explicou, em referência aos projetos da CB Bionergia no municipio de Santiago e o da Be8, em Passo Fundo. (Money Times, 29/5/26)
SLC Agrícola: ‘Queremos um ROE no nível dos bons bancos’, diz CEO
O CEO da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato, afirmou que a companhia busca entregar um ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) em torno de 20%, em linha com os melhores bancos do Brasil.
Segundo Pavinato, antes da estratégia atual de ampliar a operação em terras arrendadas — que hoje representam cerca de dois terços da área plantada —, a SLC gerava muito valor principalmente pela valorização de suas terras agrícolas.
Na época em que 100% da operação era conduzida em terras próprias, o ROE operacional da companhia era menor.
“À medida que migramos para um modelo com mais áreas arrendadas, o ROE melhorou bastante. Nos últimos cinco anos, nosso ROE foi de 22%, somando operação e valorização das terras, que responderam por metade desse retorno. Nossa estratégia é gerar um ROE no padrão dos bons bancos”, afirmou Pavinato, durante participação no programa Money Minds, do Money Times.
A companhia segue focada em ganhos de eficiência, expansão via arrendamento e aumento da rentabilidade operacional, segundo ele.
“Gerando mais ROE ao longo dos anos, esperamos que isso se traduza, hoje ou amanhã, no valor da companhia e no market cap da SLC”, acrescentou o executivo.
O CEO também destacou o histórico da companhia como boa pagadora de dividendos, com dividend yield médio de 5,2% ao ano nos últimos cinco anos.
Como você viu aqui no Money Times, a SLC não deve realizar pagamentos de dividendos em 2026, algo confirmado por Pavinato durante o bate-papo no Money Minds.
Isso porque, no fim do ano passado, a companhia promoveu um aumento de capital com bonificação de ações aos acionistas para se antecipar às novas regras de tributação. Além disso, a SLC comunicou a distribuição de R$ 400 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).
‘O agronegócio brasileiro atingiu uma dimensão que nenhum presidente deixará de lado’
Sobre as eleições presidenciais de 2026, Pavinato afirmou que a definição do próximo presidente da República sempre tem impacto para a companhia, mas ressaltou que isso não reduz o apetite da SLC por investimentos e expansão operacional.
“O agro brasileiro atingiu uma dimensão e uma importância que nenhum presidente deixará de lado. A história dos últimos 30 anos mostra isso. O que nos preocupa é o custo do dinheiro, os juros e o câmbio. A decisão do novo presidente importa para entendermos como nos adaptar ao novo ambiente”, disse.
Na visão do CEO da SLC Agrícola, o Brasil possui um marco legal estruturado e um ambiente favorável à inovação. Ainda assim, ele fez ressalvas sobre o financiamento ao setor agropecuário.
“O governo subsidia pouco o agronegócio brasileiro, algo em torno de 3%. Quando comparamos com os Estados Unidos, esse percentual chega a cerca de 15%. E, desses 3% no Brasil, o suporte vai principalmente para pequenos e médios produtores. O grande produtor praticamente não tem subsídio hoje”, afirmou.
Pavinato também mencionou a Lei Kandir, aprovada na década de 1990, que isenta as exportações de impostos e, segundo ele, ajudou a sustentar o crescimento do agronegócio brasileiro.
“O ambiente favorável do Brasil foi um dos motivos que levaram a SLC a concentrar sua expansão por aqui, e não em outros países da América Latina ou da África. Temos um agro forte e um marco legal que funciona, trazendo resiliência e evitando grandes mudanças mesmo em períodos de troca de governo” (Money Times)





