Café: Mercado à espera de uma má notícia

Por Marcelo Fraga Moreira

O vencimento julho-26 em NY encerrou a semana com uma leve alta de 545 pontos contra o fechamento anterior @ 272,35 centavos de dólar por libra-peso (fechamento anterior / máxima / mínima / fechamento atual respectivamente @ 266,90 / 262,85 / 274,89 / 272,35 centavos de dólar por libra-peso).

Já em Londres o vencimento julho-26 encerrou com uma alta de 91 usd/tonelada @ 3.456 usd/tonelada (207,31 US$/saca = 1.045 R$/saca).

E o R$ praticamente estável nos 5,03 R$/US$!

O julho-26 continua testando o piso da Banda de Bollinger dos 50 dias ao redor dos 267 centavos de dólar por libra-peso! Na semana o mercado negociou nos primeiros pregões perdendo esse suporte para em seguida os fundos + especuladores entrarem comprando e defendendo a posição! As mínimas da semana foram respectivamente 263,45 / 262,85 / 264,20 / 266,50 e na sexta-feira 270,70 centavos de dólar por libra-peso.

O mercado continua receoso ainda com o tamanho da safra brasileira 26/27. Será entre 65-75 milhões de sacas?

O último relatório da Conab projeta uma safra brasileira em 66,70 milhões de sacas! Considerando que nos últimos 5 anos a safra brasileira real foi ao redor de 10% acima dos números da Conab, então, estimar uma safra em 73,50 milhões de sacas parece ser uma “aposta” segura.

Muitos produtores teimam em acreditar em uma safra desse tamanho, mas outros estão já reportando rendimentos iniciais nas suas lavouras acima do esperado. A grande dúvida no momento começa a ser com relação ao tamanho dos grãos pois algumas regiões que tiveram atraso nas chuvas já estão reportando problemas na granação. Então, um ponto de atenção novamente, nesse momento, é a qualidade e a peneira que estará disponível no mercado.

Com as últimas chuvas algumas regiões tiveram seus cafés que estavam no terreiro sendo castigados pelas chuvas. Porém, como a colheita recém iniciou no café arábica esse estrago deverá ter sido bem pontual e localizado.

No café conilon, por enquanto não escutei problemas nem na colheita nem no rendimento. E a safra do conilon deverá ficar entre 23-26 milhões de sacas.

Os embarques brasileiros continuam dentro do esperado, e pela projeção dos dados da Cecafé agora em maio-26 o Brasil deverá exportar novamente ao redor dos 3,00 milhões de sacas – totalmente dentro do esperado e com a safra 25/26 devendo encerrar com uma exportação entre 38-39 milhões de sacas. Considerando um estoque de passagem em 3 milhões de sacas e um consumo interno em 21,50 milhões de sacas, então a safra 25/26 deverá ter sido mesmo 63,50 milhões de sacas.

Com os preços agora “pressionados”, voltando para dentro da realidade do mercado, os produtores já estão torcendo para ocorrer uma geada durante as próximas semanas. E muitos torcendo para o efeito El-Nino se confirmar e afetar a safra 27/28. Se nenhum desses fatores ocorrerem e se o El-Ninõ for “suave”, então a safra 27/28 também deverá ser acima dos 70/75 milhões de sacas – uma vez que muitas áreas novas plantadas nos últimos anos irão iniciar produção justamente na safra 27/28!

Como falado nos últimos meses, semanas, preços novamente acima dos 1.800/2.000/2.500 R$/saca nao veremos tão cedo. Considerando toda a expansão que vem ocorrendo nos últimos 2 anos – não só no Brasil mas ao redor do mundo – o risco de um desabastecimento global só ocorrerá se um evento climático severo ocorrer nos próximos 2-3 anos.

Até lá, creio que durante os próximos 2-3 anos o superavit anual entre produção x consumo deverá ficar entre 12-15 milhões de sacas por ano levando à reposição do estoque mundial do café – podendo voltar a ficar entre 30-45 milhões de sacas – e o índice “estoque x consumo” novamente acima dos 15-20%.

O grande X da equação continuará sendo o Brasil, pois o Brasil – tudo correndo bem – daqui pra frente deverá continuar produzindo pelo menos 70 milhões de sacas/ano.

Com o custo de produção brasileiro hoje ao redor dos 1.000 R$/saca dificilmente o produtor irá ao mercado para vender abaixo do seu custo de produção. Desta forma, provavelmente veremos os diferenciais se valorizando – saindo dos atuais -60 pontos para -40/-35 pontos.

Perdendo o suporte dos 270 centavos de dólar por libra-peso próximo objetivo de curto prazo está nos 250 centavos de dólar por libra-peso (lembrando que teremos o vencimento das opções no próximo dia 12 de junho e a posição das opções de venda “put*” no strike 250 centavos de dólar por libra-peso está em 4.800 lotes).

Perdendo os 250 centavos de dólar por libra-peso próximo objetivo está apenas nos 220 centavos de dólar por libra-peso.

Pra cima o mercado encontra resistências nos 272 / 275 / 287 / 296 / 307 e finalmente nos 317 centavos de dólar por libra-peso (média móvel dos 200 dias).

Em Londres o vencimento julho-26 encontra suporte nos 3.420 usd/tonelada e nos 3.200 usd/tonelada! Perdendo os 3.200 US$/tonelada próximo objetivo apenas nos 2.800 US$/tonelada!

Continua “baixista” para os proximos 2-3 anos.

Creio que em breve veremos o café arábica voltado a negociar entre 1.200-1.300 R$/saca e o café conilon entre 700-800 R$/saca (Marcelo Fraga Moreira é um profissional há mais de 30 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting)

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