Com projeções divergentes entre Conab, Abrapa e exportadores, o setor têxtil enfrenta um cenário de incerteza que exige planejamento estratégico no abastecimento de matéria-prima.
A safra brasileira de algodão 2025/2026 projeta retração em relação ao ciclo anterior. Segundo levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) divulgado em fevereiro de 2026, a produção estimada é de 3,8 milhões de toneladas de pluma, queda de 6,7% frente à última safra. Já o relatório de abril de 2026 da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) aponta redução ainda mais expressiva, de 10%. O cenário é reflexo de uma combinação de fatores: segundo o IBGE, em levantamento de novembro de 2025, três anos consecutivos de safras crescentes derrubaram os preços internacionais do algodão, comprimindo margens e levando produtores a reduzirem a área plantada. O IBGE ainda alertou que o clima em 2026, sob influência do La Niña, não deve se comportar tão favoravelmente ao plantio de algodão quanto em 2025, quando o setor registrou recordes.
Porém, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão, em reunião realizada em abril deste ano, a estimativa da safra foi revisada para cima, de 3,87 para 3,95 milhões de toneladas, com demanda ativa nos mercados compradores e sem indicação de excesso de oferta. Mesmo assim, para a cadeia têxtil, esse cenário incerto acende um sinal de atenção. Com projeções sendo revisadas por diferentes entidades e fatores climáticos ainda em aberto, confecções que não se planejarem antecipadamente podem enfrentar dificuldades de abastecimento e variações de preço ao longo do ano.
A Incofios, referência nacional na produção de fios 100% algodão, adota uma abordagem técnica para navegar esse cenário com segurança. A empresa conta com um colaborador especializado no Mato Grosso, principal estado produtor do país, que atua como classificador de fibras e acompanha de perto o desenvolvimento das lavouras. Todo o algodão adquirido passa por análise de laudo técnico HVI (High Volume Instrument), equipamento que mede com precisão as principais características da fibra, como comprimento, resistência, finura e uniformidade, garantindo padrão de qualidade consistente independentemente das variações da safra.
“Em momentos como este, em que as projeções de safra oscilam e o mercado ainda não tem clareza sobre o volume disponível, o planejamento antecipado faz toda a diferença. Na Incofios, monitoramos de perto o desenvolvimento das lavouras desde o campo e trabalhamos com critérios técnicos rigorosos na seleção do algodão. Isso nos permite garantir regularidade no fornecimento e orientar nossos clientes a fazerem compras estratégicas, evitando surpresas ao longo do ano”, afirma o Gerente Industrial da Incofios, Daniel Bodnar.
Para as confecções, o momento pede atenção redobrada ao planejamento de abastecimento. Antecipar conversas com fornecedores, mapear o volume de matéria-prima necessário para os próximos meses e avaliar a formação de estoques estratégicos são medidas que fazem diferença em cenários de incerteza. Além disso, vale priorizar parceiros que ofereçam previsibilidade técnica, regularidade de entrega e rastreabilidade da fibra, critérios que, em tempos de safra estável, podem parecer secundários, mas que se tornam decisivos quando o mercado oscila. Em um ano em que as projeções seguem sendo revisadas e o clima ainda é uma variável em aberto, a escolha do fornecedor pode ser tão estratégica quanto a escolha da coleção.




