Plano Safra 2026/27 será o mais difícil de construção, afirma secretário

Juros elevados, aperto orçamentário, efeitos da guerra no Oriente Médio e endividamento recorde no campo complicam o cenário, diz Guilherme Campos, em entrevista ao Estadão/Broadcast Agro.

O Plano Safra 2026/27, que começa em 1º de julho deste ano e se estende até 30 de junho de 2027, será o de mais difícil construção, avalia o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos. Juros elevados, aperto orçamentário, efeitos da guerra no Oriente Médio e endividamento recorde no campo compõem a conjuntura.

“O cenário está mais complicado que o do ano passado, que era muito pressionado pela taxa de juros. Neste ano temos a repetição dos juros elevados, ainda dificuldades orçamentárias, com o agravamento da conjuntura com a guerra entre Estados Unidos e Irã e os efeitos principalmente no mercado de fertilizantes, em preços e abastecimento”, disse Campos, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast Agro. “Trabalhamos para ter um Plano Safra que seja adequado às necessidades do mercado”, acrescentou.

Além dos efeitos da guerra na inflação do custo de produção e na conjuntura para a próxima safra, Campos reconhece que a expectativa inicial de trajetória de queda da taxa básica de juros, a Selic, já foi recalculada com a projeção de aumento na inflação de alimentos.

“Entramos o ano com a perspectiva de queda dos juros, mas com o avançar da guerra, vemos que o cenário de Selic a um dígito está descartado. Haverá um arrefecimento, mas ainda longe do desejado para um componente que é muito importante na projeção de subvenção da safra”, afirmou.

A intenção de obter juros de um dígito no financiamento da próxima safra continua sendo perseguida, segundo Campos, mas vai depender da previsão orçamentária. De acordo com o secretário, ainda não há uma definição de governo quanto à equação entre maior volume de recursos para a safra e juros mais altos ou alívio nos juros e menor expansão de recursos, o que tem relação direta com o orçamento destinado pela União à equalização das taxas de juros subsidiadas pelo Tesouro. “O tema ainda está em discussão”, ressaltou. Os juros aplicados aos financiamentos da agricultura empresarial na safra atual variam de 8,5% a 13,5% por ano.

Na safra atual, que termina em 30 de junho, o governo ofereceu R$ 69,1 bilhões para médios produtores por meio do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), R$ 258,6 bilhões em recursos para demais produtores e cooperativas e R$ 188,5 bilhões de CPRs originadas de recursos com direcionamento obrigatório para demais produtores.

Somando médios e grandes produtores, foram ofertados R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, incluindo recursos de Cédulas de Produto Rural (CPRs) direcionadas — CPRs de produtores financiadas pelos bancos a partir de recursos captados pela emissão das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).

Até o fim de março, R$ 220,844 bilhões foram concedidos em financiamentos a médios e grandes produtores, queda de 6% em relação ao desembolsado em igual período da safra anterior, mostra levantamento mais recente do Ministério da Agricultura.

Considerando os R$ 183,137 bilhões liberados via CPRs direcionadas de julho a março, o levantamento aponta para R$ 403,981 bilhões liberados nos primeiros nove meses da safra para agricultura empresarial, aumento de 10% na comparação entre as safras.

Nesse cenário de juros ainda elevados e maior cautela dos produtores rurais por novos investimentos, o custeio tende a ser novamente a prioridade dentro do Plano Safra da agricultura empresarial.

Juros e preços nas alturas inflacionam custo de produção

“Os juros ainda inibem o apetite do produtor por investimentos de longo prazo, como foi nos últimos dois anos, ao mesmo tempo com fertilizantes em alta, o custo de produção para a safra vai aumentar e, portanto, necessidade de maior custeio”, observou o secretário.

Diante do incremento esperado para o custo de produção, com preços de fertilizantes elevados refletindo os efeitos da guerra, as análises preliminares da pasta apontam para manutenção da área plantada na próxima safra.

“A primeira leitura indica no mínimo manutenção de área. Alguns produtores pensam em segurar, outros em fazer rotatividade maior, adubar o solo de outras formas”, relatou o secretário sobre as impressões em conversas com representantes do setor. Para Campos, a disponibilidade e os preços dos fertilizantes são a principal preocupação para a próxima safra.

Outra aposta do ministério para a safra é ampliar as fontes de crédito privado para irrigar o financiamento ao setor. Na safra atual, até março, o volume de recursos liberados via CPRs direcionadas cresceu 38%, para R$ 183,137 bilhões, enquanto houve retração no crédito rural oficial. “As CPRs se tornaram uma grande alternativa para irrigar o mercado e diminuir a necessidade de crédito do produtor no Plano Safra, bem como os demais títulos apresentam crescimento”, pontuou Campos.

O ministério já recebeu as propostas das principais entidades setoriais e das instituições financeiras que operam os recursos subsidiados da política de crédito agrícola. Neste momento, a pasta faz os cálculos antes de levar os pleitos até o Ministério da Fazenda e iniciar as discussões interministeriais dentro do Executivo (Estadão)

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