Fenômeno altera o regime de chuvas no país, com efeitos opostos entre regiões e reflexos diretos na produção agrícola ao longo do ciclo climático.
O fenômeno La Niña chegou ao fim e o planeta atravessa, neste momento, uma fase de neutralidade climática. Ainda assim, os principais modelos indicam uma transição gradual para o El Niño nos próximos meses, com probabilidade crescente ao longo do ano.
Quais os efeitos do El Niño no Brasil?
Dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA) indicam que, em 2026, a chance de formação do El Niño entre maio e julho é de 61%, subindo para 79% no trimestre entre junho e agosto e chegando a 87% entre julho e setembro.
Para que o fenômeno seja caracterizado, é necessário que as temperaturas da superfície do Pacífico equatorial permaneçam pelo menos 0,5°C acima da média por um período prolongado.
No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), esse fenômeno costuma provocar efeitos contrastantes entre as regiões. Enquanto o Sul tende a registrar aumento significativo no volume de chuvas, o Norte e o Nordeste geralmente enfrentam condições mais secas.
Esse padrão ocorre porque o aquecimento das águas do Oceano Pacífico altera a circulação atmosférica, deslocando a umidade em direção à porção sul da América do Sul.
Efeitos no campo
Os impactos no campo tendem a ser relevantes. No Sul, o excesso de chuvas durante o inverno e a primavera pode provocar encharcamento do solo, prejudicar o desenvolvimento das lavouras e favorecer o surgimento de doenças fúngicas, além de dificultar as operações com máquinas.
Os maiores danos podem devem ser para o café e a cana. “Para as culturas do café e cana o problema seria um inverno mais úmido, clima típico do El Niño, com chuvas mais regulares, o que poderá atrapalhar a colheita entre setembro e novembro”, diz o agrometeorologista da Rural Clima Marco Antônio dos Santos.
Já para as culturas de soja e milho a previsão é boa. “O outono deverá ser de chuvas um pouco mais regulares, mantendo as condições mais favoráveis ao desenvolvimento”, indica Marco Antônio.
Culturas de inverno no Sul, como o trigo, segundo o Inmet, costumam ser particularmente afetadas, especialmente nos meses mais chuvosos, como setembro e outubro.
Por outro lado, nas regiões Norte, Nordeste e em parte do Centro-Oeste e Sudeste, a redução das chuvas aumenta o risco de veranicos, períodos de estiagem que podem comprometer o plantio e o desenvolvimento inicial de culturas como soja e milho.
Embora o El Niño não tenha duração fixa e possa persistir por mais de um ano, o cenário atual já acende um sinal de atenção para o setor agropecuário. O acompanhamento das condições climáticas nos próximos meses será essencial para avaliar os impactos reais sobre a produção agrícola no país (Globo Rural)






