Empresas do agro geraram menos retorno a investidores

Conclusão é de estudo do BCG que compara desempenho de 38 companhias do setor entre 2020 e 2024 com o de outros segmentos.

Empresas do agronegócio até conseguiram melhorar o retorno médio a seus investidores nos cinco anos entre 2020 e 2024, mas ainda registraram resultado “anêmico” e ficaram entre os setores com pior desempenho no período. É o que aponta levantamento da consultoria Boston Consulting Group (BCG).

Mesmo saindo de 2% no período de 2014 a 2018 para 4% ao fim de 2024, o retorno médio total ao acionista (TSR, em inglês) de empresas do setor foi um dos mais fracos de 36 áreas avaliadas. Equiparou-se aos de bens de consumo não duráveis, provedores de serviços de comunicação e turismo e viagens, que só superaram o TSR de 1% do ramo imobiliário.

O estudo do BCG analisou os resultados de 38 empresas do agronegócio, das quais mais da metade com atuação no Brasil. Entre elas, as gigantes de máquinas agrícolas Deere, AGCO e CNH Industrial, a fornecedora de proteína animal BRF (hoje MBRF), as produtoras de fertilizantes Nutrien, Mosaic, Yara e ICL, as comercializadoras de commodities ADM e Bunge e a fornecedora europeia de sementes KWS.

Para selecionar o grupo, a consultoria adotou critérios como estar listada em bolsa há ao menos cinco anos, mais de 50% do negócio concentrado no agro, free float (percentual de ações disponíveis para negociação) mínimo de 20% e capitalização de mercado a partir de US$ 2 bilhões. “A lista não tem como objetivo primordial cobrir todas as companhias. A proposta é convergir para uma amostra estatisticamente relevante do mercado”, disse o diretor-executivo e sócio do BCG, Lucas Moino, em entrevista ao Valor.

O agro sinalizou “resiliência” durante “considerável volatilidade” provocada pela pandemia de covid-19, pelo conflito entre Rússia e Ucrânia e pela crescente variação climática, disse o BCG no documento. Se altas de algumas commodities beneficiaram parte dos players em dados momentos do período, custos elevados de insumos prejudicaram as cadeias de grãos e proteínas.

Dos cinco subsetores do agro considerados no estudo — equipamentos agrícolas, defensivos e sementes, fertilizantes, processadoras de grãos e de proteínas — apenas os de equipamentos e fertilizantes superaram o retorno médio total ao acionista do setor, com 14% e 7%, respectivamente. Contudo, ao menos uma empresa de cada segmento ficou entre as dez do agro com TSR mais alto.

A Deere liderou com 21% de retorno. Entre seus diferenciais e das demais bem avaliadas, o BCG destacou a liderança em seus mercados, foco na principal área de atuação e “mais sucesso” que os pares em gerenciar custos e margens durante altas e baixas das commodities.

Apesar do resultado fraco no período, o horizonte é promissor para empresas do agro, avaliou Moino. Políticas de estímulo a biocombustíveis, que vêm impulsionando a demanda de novos consumidores, como os setores de navegação marítima e aviação, além de avanços de produtividade no campo e na agroindústria, tendem a beneficiar o TSR do agro brasileiro e global, segundo o executivo.

“O espaço para expandir a agricultura no Brasil ainda é muito grande. Com aumento de produção estamos viabilizando outras indústrias importantes”, afirmou o executivo, citando as de etanol de milho, farelo e proteína animal, que ao crescer tendem a elevar margens do setor.

“Não há muito espaço para ganhos de eficiência nos Estados Unidos, Europa e outros mercados. Se todo mundo continuar igual e o Brasil subir a média, vamos arrastar o número [TSR] para cima muito possivelmente”, estimou o sócio do BCG.

A agricultura tropical deve ser outro motor de melhorias. No Brasil, espera-se aumento de produção com a recuperação de pastagens e de produtividade com novas tecnologias. A Índia também desponta como potência agrícola e entra numa nova fase de geração de valor, migrando da produção de commodities para crescimento com inovação e ganhos de escala. Moino, no entanto, vê o país bem atrás do Brasil em regulação de patentes, financiamento de produtores e pesquisa.

“Se uma empresa global tem de distribuir seus investimentos, acho mais fácil desalocar dos EUA e alocar no Brasil para transferirmos conhecimento para a Índia do que tirar do Brasil para colocar na Índia”, disse (Globo Rural)

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