Tecnologia faz parte de um pacote de soluções apresentadas pela Basf e que devem chegar ao mercado até 2029.
A Basf revelou nesta terça-feira (20/1) três de suas principais inovações em genética e proteção de lavouras que devem chegar ao mercado até 2029, após aprovação de agências reguladoras. A empresa alemã apresentou a primeira cultivar de soja resistente a nematoides, além de duas novas moléculas de defensivos, sendo um inseticida de longa duração contra lagartas e um fungicida.
A companhia investe globalmente mais de R$ 5,7 bilhões (ou 915 milhões de euros) por ano em pesquisa e desenvolvimento. O investimento apenas nas três inovações citadas é estimado entre R$ 5 bilhões e R$ 6,3 bilhões (ou 800 milhões a 1 bilhão de euros) na última década.
“As soluções são resultado de mais de dez anos de pesquisa e investimento e partiram justamente das necessidades dos agricultores. O avanço da agricultura virá da inovação, tanto em produtividade quanto em margem”, argumenta Marcelo Batistela, vice-presidente da Basf.
Segundo ele, a nova cultivar, batizada de NRS, é a primeira com resistência biotecnológica a nematoides, uma das pragas mais prejudiciais à agricultura.
De acordo com estimativas da Sociedade Brasileira de Nematologia, os nematoides geram perdas anuais de cerca de R$ 35 bilhões ao agro nacional, sendo R$ 16,2 bilhões apenas na soja.
A variedade transgênica atua diretamente contra o Pratylenchus brachyurus, responsável por lesões radiculares, e o Heterodera glycines, conhecido como nematoide de cisto. Segundo a Basf, a soja NRS oferece proteção “de dentro para fora”, incorporando a resistência diretamente na planta.
A tecnologia, de acordo com a empresa, apresentou controle superior a 90% do nematoide das lesões radiculares, além de proteção consistente contra o nematoide de cisto, em mais de 160 ensaios de campo no Brasil nos últimos sete anos.
“O lançamento da soja NRS integra uma estratégia mais ampla, que atua em todas as etapas do cultivo — de sementes e traits à proteção de cultivos químicos e biológicos, agricultura digital e ferramentas financeiras”, observa Batistela.
Defensivos
Outra inovação é um inseticida formulado com a molécula Broflanilide para enfrentar pragas de difícil manejo, como Spodoptera frugiperda e Helicoverpa sp. Segundo a empresa, testes a campo demonstraram alto índice de controle em apenas duas horas após a aplicação, além de um longo efeito residual que pode chegar a 21 dias.
“É a primeira grande inovação em uma década para esse tipo de praga e chega sem resistência cruzada, o que o torna uma ferramenta estratégica para o manejo de resistência e a rotação de ingredientes ativos”, diz Warley Palota, líder do Cultivo de Algodão da Basf.
Também destaque do cronograma de lançamentos da companhia é um fungicida de amplo espectro. O produto foi desenvolvido para enfrentar algumas das doenças mais preocupantes da sojicultura, como ferrugem asiática, mancha-alvo, cercosporiose e septoriose, em um cenário de avanço da resistência às estrobilurinas.
De acordo com a Basf, ensaios de campo indicam ganhos de produtividade superiores a três sacas por hectare na soja. O produto também será indicado para o manejo de ramulária e mancha-alvo no algodão e para doenças do milho.
Além desses, a multinacional prevê cerca de 34 lançamentos até 2035, incluindo novos modos de ação, formulações inovadoras e traits, bem como variedades de sementes e soluções digitais voltadas à soja, milho, algodão, arroz, hortifrúti, café, cana-de-açúcar e citros (Globo Rural)






