Unidade aumentou em 0,25% o índice de recuperação de açúcar da cana
Sistema em uso na Usina São Manoel permite ganho de eficiência por meio da tecnologia.
Um sistema que integra tecnologias, inclusive Inteligência Artificial, pode ajudar usinas de cana-de-açúcar a ampliarem suas receitas ao permitir ganho de eficiência na moagem da matéria-prima.
O MM.IA (Monitoring Mills ou Monitoramento de Usinas com Inteligência Artificial, em tradução livre), desenvolvido pela consultoria piracicabana ITC, já está em uso pela Usina São Manoel, localizada na cidade paulista do mesmo nome.
O sistema instalado na usina utiliza uma tecnologia de sensores chamada infravermelho próximo (Near Infrared) e Inteligência Artificial para analisar as propriedades da cana durante a operação nas moendas em tempo real.
“O setor sempre usou dados laboratoriais obtidos a cada quatro horas, ou seja, decisões baseadas em informações do passado. Agora, a IA transforma essas fotografias em um filme em tempo real para buscar a maior eficiência possível”, afirma Rafael Bassetto, gerente de Novos Negócios da Usina São Manoel.
O monitoramento em tempo real é importante, pois cada touceira de cana tem índices diferentes de açúcar, fibras e água. Tais indicadores são cruciais para ajustar a moenda a fim de extrair mais ATR (Açúcar Total Recuperável).
A partir daí, o sistema aciona a calibragem automática das máquinas, que já eram aptas a isso. “A adaptação foi simples porque trouxe benefícios à usina e facilidade aos operadores”, acrescenta.
Com investimento de R$ 3,5 milhões em cinco anos, a Usina São Manoel iniciou testes com o sistema em 2020, começou a usar o sistema com escala em 2021 e adotou a regulagem automática em tempo real em 2022.
Como resultado do uso do sistema integrado, a unidade da São Manoel aumentou em 0,25% o índice de recuperação de açúcar da cana na última temporada e gerou um faturamento extra entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões.
Segundo Rafael Bassetto, o desafio de toda usina “não é produzir açúcar, mas recuperar o açúcar da cana. A capacidade de extração padrão fica em 88% a 90%, e a moenda responde por 80% da perda”. Por isso, o aumento no índice de recuperação “é uma grande oportunidade”.
Basseto explica que os sensores do tipo infravermelho próximo já são usados no setor sucroalcooleiro desde a dedada de 1990. Mas o sistema da ITC se diferencia com a IA e o ajuste preciso, que garantem mais eficiência, segundo ele
.
“A capacidade de fazer a calibração é fundamental e requer experiência, além de conhecimento. Ter dados imprecisos é quase tão ruim quanto não ter dados. Cada usina precisa da calibragem exata do seu sensor”, explica.
No caso da Usina São Manoel, o sistema usa dois sensores na moenda, um instalado na entrada da cana e outro na saída do melaço, para capturar dados sobre até 40 parâmetros a cada segundo.
O aparelho emite luz infravermelha nas amostras e mede as luzes absorvidas e refletidas, identificando com precisão a composição da cana.
Essas informações alimentam o sistema de IA customizado para a usina, no qual também é agregado o histórico do banco de dados operacional.
“As usinas que se anteciparem serão protagonistas da nova bioeconomia. Quem investir cedo vai colher os frutos da eficiência e da sustentabilidade”, defende Jaime Finguerut, diretor técnico do ITC.
Segundo a ITC, o desenvolvimento da tecnologia teve investimentos de cerca de R$ 11 milhões nos últimos 5 anos.
A Usina São Manoel planeja ampliar o uso do sistema para outras etapas produtivas. O próximo passo é a aplicação às fases de fermentações e fabricação de açúcar.
“No caso da fermentação, o investimento está na casa de R$ 2 milhões, diluídos em cinco anos. Projetamos R$ 1 milhão de retorno extra ao ano nestas novas duas etapas”, afirma Basseto.
A São Manoel processou 3,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2024/25, dos quais 96,2% foram cultivados em áreas próprias ou arrendadas e 3,8%, por outros parceiros.
A unidade produziu 160 milhões de litros de etanol e 260 mil toneladas de açúcar em 2024/25 (Globo Rural)






