Irã chega ao limite e caminha para um desfecho trágico

Por William Waack

Se o regime conseguir sobreviver, o quadro permanecerá de grande instabilidade e derramamento de sangue. Se sucumbir, implodir, mudar, também.

A República Islâmica do Irã chegou ao ponto no qual não há mais boas opções, e, independentemente do desfecho da atual crise, o resultado promete ser trágico.

Já é uma tragédia humanitária de grandes proporções, pois um regime esgotado, odiado, velho, corrupto e violento está massacrando protestos populares, sob a indiferença oficial de países como o Brasil, cuja diplomacia tem indignação seletiva quando se trata de denunciar graves violações de direitos humanos.

Ou a irresponsabilidade pessoal do presidente americano, Donald Trump, que incita a população iraniana a ir às ruas, prometendo uma ajuda que ninguém sabe como viria. 

No quadro geopolítico amplo e no Oriente Médio em particular, o Irã é um país de vital importância devido sua posição geográfica, história, tamanho da população e recursos naturais, mas, principalmente, pelo seu papel no contexto geral das lutas religiosas. 

Foi a revolução islâmica de 1979 que virou de cabeça para baixo a relação entre Estado e religião no mundo muçulmano, tornando o governo secular diretamente dependente da aprovação do máximo líder religioso. 

Uma teocracia com enorme influência no mundo das ideias, gostando ou não delas, influenciam milhões de pessoas, não só no Oriente Médio. No entanto, a revolução se esgotou há muito tempo. 

Vive hoje apoiada na repressão a protestos de natureza básica: por melhora do nível de vida, por liberdade. 

Se o regime, derrotado recentemente em ações militares dos EUA e Israel, conseguir sobreviver, o quadro permanecerá de grande instabilidade e derramamento de sangue. Se sucumbir, implodir, mudar, também (CNN Brasil)



Sem criticar regime, Brasil lamenta mortes no Irã e diz que cabe aos iranianos decidir futuro do país

  • Manifestação ocorre duas semanas após início de protestos
  • Itamaraty diz que não há registro de vítimas brasileiras

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou, nesta terça-feira (13/1), as mortes registradas em protestos no Irã e afirmou que cabe apenas aos iranianos decidir o futuro do país.

Em nota, o Itamaraty disse ainda que acompanha com preocupação os protestos e que não há notícias de brasileiros entre os mortos e feridos.

“Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo”, disse o Ministério das Relações Exteriores no comunicado.

Cerca de 2.000 manifestantes morreram no Irã desde 28 de dezembro, quando começou a atual onda de protestos contra o regime teocrático, segundo a organização de direitos humanos Hrana, com sede nos Estados Unidos.

A contagem expõe um aumento significativo nos últimos dias da repressão ao movimento iniciado no final de dezembro, quando então era apenas uma insatisfação de comerciantes do Bazar de Teerã com a desvalorização do rial, a moeda local, e a inflação crescente.

Teerã não divulga balanço oficial de mortos, sejam manifestantes ou membros das forças de segurança, mas o mesmo número de 2.000 vítimas já havia sido passado à agência Reuters por um funcionário do próprio regime, culpando o que chamou de terroristas pela escalada da violência.

O comunicado do Itamaraty é curto e não faz nenhuma crítica ao regime iraniano. De acordo com membros do governo Lula com conhecimento do assunto, ainda é preciso entender em que medida a atual onda de protestos se diferencia de outros movimentos antirregime no passado.

Além do mais, o Brasil e o Irã são membros do Brics, outro fator que, segundo interlocutores, dificulta manifestações mais incisivas por parte do governo Lula.

O apelo do Itamaraty contra interferências externas no Irã ocorreu horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter instado os manifestantes a “tomarem as instituições” no país.

“Patriotas iranianos, CONTINUEM A PROTESTAR —TOMEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um grande preço. Eu cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que essa matança sem sentido de manifestantes ACABE. AJUDA ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!! [Make Iran Great Again]”, escreveu Trump na rede Truth Social, com as habituais letras maiúsculas.

Pelo lado comercial, as relações entre Brasil e Irã são marcadas por um fluxo muito superior de exportações do que importações. O país vendeu US$ 2,9 bilhões aos iranianos, sendo milho e soja os principais itens. No caminho contrário, o Irã vendeu US$ 84,6 milhões para o Brasil.

Do lado político, a relação de Lula com o regime iraniano já lhe rendeu críticas, principalmente no final do seu segundo mandato, quando houve um movimento de aproximação do petista com o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad (Folha)

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