Inadimplência do agro quase triplicou na Caixa em 12 meses

Índice saltou para 11,2% no fim do terceiro trimestre de 2025.

A inadimplência no setor agropecuário atingiu também a carteira de crédito rural da Caixa e movimentou ações de monitoramento, cobrança e renegociações de contratos na instituição federal. O índice saltou para 11,2% no fim do terceiro trimestre de 2025, alta de 4,19 pontos percentuais em relação ao período encerrado em junho, quando estava em 7%.

Na comparação com o ano passado, o saldo das operações com atraso de pagamento quase triplicou. Em setembro de 2024, o índice estava em 3,35% na carteira rural. O agronegócio tem o maior percentual de inadimplência no banco atualmente, acima do crédito comercial (8,95%).

Em balanço divulgado nesta quarta-feira (26/11), a instituição financeira explicou que no terceiro trimestre e ao longo de todo o ano de 2025 as operações com o público do agronegócio foram impactadas pelo aumento da inadimplência, caracterizada pelos atrasos nos pagamentos acima de 90 dias.

“As operações de custeio, voltadas ao financiamento do ciclo produtivo, sofreram com a queda dos preços das commodities e o aumento dos custos dos insumos. Já as operações de investimento, destinadas à modernização da infraestrutura produtiva e aquisição de máquinas, também foram impactadas, reflexo do cenário de juros e da desvalorização dos ativos”, explicou a Caixa.

O banco disse que “está intensificando ações de monitoramento, cobrança e renegociação de contratos. Essas iniciativas visam dar maior sustentabilidade à carteira”.

Mesmo assim, o saldo da carteira de agronegócio do banco cresceu 2,1% no terceiro trimestre em relação ao anterior e chegou a R$ 61,7 bilhões. Em setembro de 2024, o valor era de R$ 59,7 bilhões.

As contratações de novas operações de crédito rural alcançaram R$ 5,9 bilhões no trimestre encerrado em setembro, alta de 3,6% na comparação com o mesmo período de 2024 e de 206,6% em relação ao trimestre encerrado em junho deste ano. A participação de mercado da Caixa no setor continua estável, em 9,6%.

O agronegócio representa apenas 4,6% da carteira de crédito da Caixa, dominada pelo crédito imobiliário, com R$ 905 bilhões dos R$ 1,3 trilhão administrados pela instituição federal.

As letras do agronegócio totalizaram R$ 13,4 bilhões, redução de 10,1% em relação a setembro de 2024. Na comparação com junho último, esses recursos apresentaram diminuição de 10,7% (Globo Rural)



Endividamento rural cresce e arrendatários têm prejuízo, alerta BC

Situação está “alarmante”, afirma diretor do Banco Central.

O endividamento dos produtores rurais está crescendo, e a situação é pior para aqueles que precisam pagar arrendamento das áreas em que produzem. Estes já estão tendo prejuízo e não estão mais conseguindo honrar seus financiamentos. O alerta foi dado por Claudio Filgueiras, diretor do Departamento de Regulação, Supervisão e Controle das Operações do Crédito Rural e do Proagro (Derop) do Banco Central, em audiência pública no Senado Federal na quarta-feira passada (19/11).

“O arrendatário que financia 100% dos custos hoje não consegue pagar qualquer operação que venha a fazer, mesmo com recursos em taxas direcionadas, com recursos com equalização, no teto do Conselho Monetário Nacional”, afirmou Filgueiras na audiência.

Segundo perspectivas apresentadas por ele na audiência, arrendatários que financiam 100% dos custos das lavouras tiveram prejuízo financeiro médio de 2,6% na safra 2024/25. As margens foram positivas para quem é arrendatário mas não tem financiamentos (14,8%), e também foram positivas para proprietários das terras com ou sem empréstimos bancários (22,6% e 35,7%, respectivamente).

Filgueiras classificou o dado como “alarmante”. “O arrendatário que financia tudo hoje, mesmo que use todas as taxas disponíveis, não consegue ter resultado na sua produção. É hora de parar e pensar se a política está sendo feita da forma que deveria”, disse. “Talvez esse dado nos leve a refletir um pouco sobre como a política pública deveria tratar o financiamento do crédito rural.”

Segundo Filgueiras, a inadimplência dos produtores rurais pessoas físicas chegou a 7,9% da carteira total do sistema financeiro no primeiro trimestre deste ano. Em 2024, no mesmo período, o índice estava em 7%. Os grandes produtores são os que tiveram mais problemas.

“O maior endividamento hoje é dos proprietários de grande porte, de 10,7% e a maior parte deles está no Centro-Oeste, parte do Paraná e São Paulo”, disse.

A maior taxa de inadimplência e de operações em atraso, segundo o diretor, está nos financiamentos oriundos de recursos obrigatórios. O índice é maior do que nos empréstimos de recursos da poupança rural e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).

Segundo ele, os financiamentos com origem na poupança rural têm o menor índice de inadimplência porque “parte é utilizada em investimentos e operações mais longas”. “Recurso obrigatório é custeio e operações curtas, é onde tem mais problema. É algo para se pensar sobre a distribuição”, sinalizou.

Segundo Filgueiras, a média nacional de operações de crédito rural em atraso, inadimplentes, prorrogadas e adiadas está próxima de 15%. No Rio Grande do Sul, que enfrentou secas e enchentes, o cenário é pior, e o índice está em 30,6%.

“Há um crescimento significativo de operações em atraso, inadimplentes, prorrogadas e renegociadas com impacto significativo em diversos Estados”, apontou (Globo Rural)

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