Oferta de eucalipto é desafio para usinas de etanol de milho

Produção de combustível provindo do cereal atingirá um terço do álcool do país.

Nas próximas safras, pelo menos um terço da produção de etanol no Brasil virá do milho, um percentual pouco esperado há alguns anos. Esse avanço, que deixa mais cereal no país, gerando uma economia circular consistente, deverá encontrar alguns gargalos nos próximos anos.

Mato Grosso, o líder nessa corrida, já possui 25 usinas de etanol de milho e de etanol de cana e flex, estas últimas utilizam tanto milho como cana, dependendo do período do ano. Destas, 17 usam exclusivamente o milho, outras 7 estão em construção e uma está em ampliação. Os dados são de Linacis Lisboa, secretária-adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, e foram apresentados nesta quinta-feira (28) no seminário Florestar da Arefloresta, em Sinop (MT).

Por ora, a oferta de biomassa para a produção do etanol é superior à da demanda, segundo Cleiton Gauer, superintendente da Famato. Essa oferta tem como fonte principal de fornecimento, no entanto, a base florestal, vindo a seguir o eucalipto, de floresta plantada.

Para acompanhar essa evolução de biomassa para fonte de energia, as usinas vão depender cada vez mais do eucalipto. Até porque as empresas querem estar ligadas a fontes de energia limpa e renovável.

A oferta de eucalipto passa, no entanto, por alguns desafios. Uma nova usina pode ser construída em apenas dois anos, enquanto o eucalipto só estará na porta dessa indústria após sete anos. Além das usinas, indústria de biodiesel, armazéns e frigoríficos disputam a biomassa.

Mato Grosso, que produz 5,4 bilhões de litros atualmente, deverá chegar a 9,6 bilhões em 2030. Para isso, a área plantada, que está próxima de 165 mil hectares, tem como meta atingir 285 mil no mesmo período. Clair Bariviera, presidente da Arefloresta (Associação de Reflorestadores de Mato Grosso), diz que não está fácil incentivar novos produtores, embora o cenário de preços seja bom no momento. Produtor há duas décadas, ele diz que, no passado, o setor passou por problemas que ainda trazem indecisões.

Bariviera diz que está difícil atrair novos produtores também porque o custo de desembolso é muito grande logo no primeiro ano, e os retornos só virão em seis a sete anos. Glauber Silveira, vice-presidente da Areofloresta afirma que o plantio de cem hectares exige investimentos de R$ 1,5 milhão, com gastos de R$ 800 mil apenas no primeiro ano.

Um dos gargalos do setor também é a baixa produtividade média do eucalipto. Essa produtividade passa pela busca de boas mudas, nem sempre fácil, segundo Glauber, pela adaptação genética, aclimatação, material apropriado para o solo da região onde está sendo plantado, controle de matocompetição e manejo adequado.

Maurel Behling, pesquisador da Embrapa, diz que a esses fatores devem ser acrescentados os eventos climáticos, cada vez mais frequentes. Quanto às mudas, para Haroldo Klein, da KLM Reflorestadora, a defesa sanitária de Mato Grosso deverá fazer um controle rígido para exigir qualidade no produto que entra no estado.

O plantio de eucalipto cresce, mas não deixa de ser um processo de sustentabilidade, segundo Behling. É um bem necessário, ao contrário dos derivados fósseis, afirma. Apesar dos desafios, produtores e outros participantes da silvicultura saíram do congresso apostando na utilização da biomassa para a produção de energia renovável (Folha)

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