Entre as companhias que podem ser habilitadas estão unidades da Minerva, JBS, Marfrig e BRF.
Representantes do governo brasileiro estão em missão no México para, entre outras agendas, negociar a possibilidade de 14 novas habilitações a frigoríficos de carne bovina, de acordo com informações da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). “14 novas plantas devem ser habilitadas, fechando um total de 49”, afirmou o presidente da entidade, Roberto Perosa, que integra a comitiva.
Entre as companhias que podem ser habilitadas estão unidades da Minerva, JBS, Marfrig e BRF. Há também plantas da Frisa, Distriboi, Agra, Prima Foods, Meat Snack, Better Beef e do frigorífico Iguatemi.
As autoridades mexicanas propõem a realização de uma reunião remota de abertura, seguida de auditoria presencial nas 49 plantas – considerando as que já estão habilitadas atualmente – para o período de 15 a 26 de setembro, conforme apurou a reportagem.
Perosa acrescentou que uma das prioridades da Abiec no México envolvem avançar na negociação de um tratado de livre comércio que dê maior previsibilidade e competitividade às exportações brasileiras.
A entidade também busca garantir a renovação por mais dois anos do Pacic, um pacote do governo do México contra a inflação que é considerado “fundamental para manter a isenção tarifária de insumos essenciais à cesta básica mexicana e apoiar o poder de compra local”.
Parceria estratégica
Além disso, a ideia é ampliar o número de frigoríficos brasileiros habilitados a exportar, diversificando fornecedores, fortalecendo a segurança alimentar do México e consolidando o Brasil como parceiro estratégico.
O resultado parcial de exportações brasileiras mostra que, no acumulado de agosto até o dia 25, o México foi destino de 10,2 mil toneladas de carne bovina e assumiu a segunda posição como maior comprador, atrás apenas da China.
Até o mês passado, o segundo lugar no ranking era dos Estados Unidos e a posição foi perdida com a aplicação de tarifas adicionais de 50% pelos americanos contra produtos brasileiros, que passaram a valer em 6 de agosto (Globo Rural)
Apesar do tarifaço, as exportações de carne bovina aumentam neste mês
Já as vendas externas de café perdem força e recuam 8%, segundo dados da Secex.
Alguns setores de exportação estão ignorando a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil. Pelo menos é o que mostram os dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) das quatro primeiras semanas deste mês, em relação aos números de julho.
A carne bovina, que, em princípio, seria uma das mais afetadas, devido à importância do mercado americano, vem aumentando em 11% o volume exportado, em relação ao de julho. A média por dia útil de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada colocada no mercado externo pelo Brasil subiu para 13,3 mil toneladas nos 16 primeiros dias úteis do mês.
Além de um volume maior, o setor está obtendo preços melhores. Segundo a Secex, o preço médio da tonelada exportada neste mês subiu para US$ 5.602, com alta de 1% sobre o valor de julho. O Brasil está conseguindo elevar o volume exportado para mercados tradicionais e abriu novos mercados que já estavam em negociação. Os Estados Unidos foram o segundo maior mercado para o Brasil no primeiro semestre deste ano, atrás da China.
Não é apenas a carne bovina que eleva as exportações, mas também a de frango e suína, embora essas duas não sofrem grandes efeitos do tarifaço de Donald Trump. As exportações de carne de frango, que vêm evoluindo após o fechamento parcial do mercado brasileiro para vários países, devido à gripe aviária, atingiu a média diária de 17,7 mil toneladas neste mês, 9% a mais do que em julho. A carne suína, também com aumento de 9% no mês, somou 5.572 toneladas por dia útil. Já os preços, tanto da carne de frango como da suína, perderam 2%, segundo as estatísticas da Secex.
O café, outro produto afetado pelo tarifaço, uma vez que 30% das importações dos americanos eram procedentes do Brasil, apresentou sinais de queda. As exportações médias recuaram para 6.454 toneladas nos 16 primeiros dias úteis, com retração de 8% sobre julho. O preço médio obtido por tonelada caiu 4%.
A Secex indica, ainda, que as exportações médias de mel subiram para 184 toneladas por dia útil, 22% a mais do que em julho. Os preços tiveram valorização de 3% no período. Frutas e produtos hortícolas estão com recuo nas vendas e nos preços externos. A mesma tendência foi registrada por pescado e por amendoim.
A soja, líder das exportações anuais do agronegócio, manteve o ritmo de queda, o que é normal no segundo semestre. Agosto registra uma retração de 15% no volume exportado, em relação a julho, mas os preços médios sobem 1%. As exportações de soja recuam, mas as de milho sobem nesse período do ano. A Secex apontou um crescimento de 192% neste mês, em relação a julho. Saíram pelos portos do Brasil 310 mil toneladas de milho nos dias úteis deste mês (Folha)