2026 deve marcar novo recorde do Ciclo Otto, com consumo acima de 62,8 milhões de m³

StoneX projeta alta de 2,1% no mercado de combustíveis leves, avanço do etanol hidratado e apoiado pela expansão acelerada do etanol de milho, que pode redefinir o equilíbrio com a gasolina no Brasil

A StoneX, empresa global de serviços financeiros, revisou para cima suas projeções para o Ciclo Otto em 2026 e estima que o consumo total de combustíveis leves supere 62,8 milhões de m³, crescimento de 2,1% na comparação anual. A perspectiva mais positiva reflete um ambiente macroeconômico mais favorável e o aumento esperado da competitividade do etanol ao longo do ano.

De acordo com a analista de Inteligência de Mercado, Isabela Garcia, o cenário econômico sustenta a revisão. “As primeiras projeções indicam crescimento da renda real e do consumo das famílias acima de 2% ao ano em 2026, superando estimativas anteriores. Esse ambiente tende a sustentar um avanço mais consistente da demanda por combustíveis leves”, compartilha.

No detalhamento por produto, a gasolina C deve alcançar 47,2 milhões de m³ (+1,3%), enquanto o etanol hidratado pode avançar 4,6%, para 22,2 milhões de m³, elevando sua participação no mercado nacional para 24,8%.

Etanol ganha competitividade com safra recorde

Após encerrar 2025 com consumo de 21,2 milhões de m³, queda de 2,3% frente ao ano anterior, o etanol hidratado deve retomar o crescimento em 2026, impulsionado por maior oferta.

Conforme explica o analista de Inteligência de Mercado, Rafael Borges, o novo ciclo será marcado por produção recorde. “A safra 2026/27 deve apresentar um mix mais alcooleiro diante da forte queda nos preços do açúcar, tornando o etanol mais vantajoso para as usinas na primeira metade do ano e ampliando a oferta do biocombustível”, destaca.

A partir de abril, com o início da nova safra, a expectativa é de paridades mais favoráveis ao etanol. Em São Paulo, a paridade média estimada para 2026 é de 66,3%, ante 67,1% em 2025. No Norte–Nordeste, a entrada mais intensa do etanol de milho pode provocar mudança estrutural no consumo, com alta estimada de 12,1% nas vendas do hidratado, frente a 3,8% no Centro-Sul.

Avanço do etanol de milho redefine o mercado

Um dos principais vetores de transformação em 2026 será o etanol de milho. De acordo com o levantamento da StoneX, há 20 potenciais novas unidades previstas no país, sendo oito na região Norte–Nordeste.

 O crescimento do etanol de milho, segundo o analista de Inteligência de Mercado, Rafael Borges, será decisivo. “Além de suprir a demanda adicional gerada pelo aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, que cria consumo incremental de quase 1,4 milhão de m³ em 2026, o avanço do etanol de milho amplia a competitividade do biocombustível, principalmente na segunda metade do ano”, realça.

A nova capacidade instalada deve acrescentar cerca de 1,7 milhão de m³ ao Centro-Sul e 1 milhão de m³ ao Norte–Nordeste no ano-safra 2026/27. Atualmente, o etanol de milho já representa aproximadamente 30% da oferta no Centro-Sul e cerca de 35% no Norte–Nordeste (safra 2025/26). Até o fim da década, o número de usinas poderá chegar a 79, totalizando capacidade nacional de 26,4 milhões de m³.

2025 fechou acima do esperado

O desempenho mais forte projetado para 2026 ocorre após um 2025 acima das expectativas. No ano passado, as vendas do Ciclo Otto somaram 61,5 milhões de m³, crescimento de 3,1% na comparação anual.

Dezembro foi o principal destaque, com vendas em gasolina equivalente superiores a 6 milhões de m³, alta de 9,2% frente ao mesmo mês de 2024. A gasolina C avançou 12,8% no período, atingindo 4,63 milhões de m³ — melhor resultado da série histórica.

De acordo com Isabela Garcia, parte desse movimento pode estar ligada à antecipação de compras antes do reajuste do ICMS em janeiro de 2026, de R$ 0,10 por litro. Além disso, revisões recentes da ANP elevaram os volumes de demanda entre agosto e outubro, reforçando o ritmo de crescimento observado no segundo semestre.

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